Quase 40% dos internados de forma indevida estão à espera de uma vaga em lares
Número foi avançado por secretário de Estado. 513 utentes estavam com bloqueios jurídicos ligados ao regime do maior acompanhado.
Menos de 40% dos 3500 utentes internados de forma indevida (isto é, que se mantêm em unidade hospitalar após a alta) aguardavam vaga nos cuidados continuados. Os números foram avançados ontem por Francisco Catalão, secretário de Estado da Gestão da Saúde, numa audição no Parlamento. O governante adiantou ainda que grande parte estes utentes aguardavam vaga num lar. Havia ainda 513 pessoas a enfrentar bloqueios jurídicos ligados ao regime do maior acompanhado.
Segundo Francisco Catalão, a crise não é, no entanto, exclusiva da Saúde nem “exclusivamente hospitalar”, tendo sublinhado o desafio do envelhecimento demográfico, que exige uma “resposta integrada”. O governante disse ainda que, a 31 de maio, a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados atingiu os 10 041 lugares, que “nunca perdeu capacidade” com o Governo e que tinha ontem mais 424 lugares do que no final de 2023. Mas acrescentou: “Não ficarei descansado enquanto houver um português nestas condições.”
O último barómetro de internamentos sociais, divulgado em abril, indicava que 2807 pessoas estavam em março internadas nos hospitais públicos após a alta clínica, mais 19% do que no mesmo mês de 2025. O valor atingiu em junho as 3500 camas.
Francisco Catalão elencou ainda diversas medidas aplicadas pelo Governo para controlar o problema, como por exemplo o projeto Ponto Parceiro, que visa garantir cuidado de proximidade a utentes dos lares.
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