Quase um quarto das zonas húmidas do mundo perdido desde 1970
Uma parte substancial das que existem está em más condições ecológicas.
Quase um quarto das zonas húmidas do mundo foi perdido desde 1970 e uma parte substancial das que existem está em más condições ecológicas, indicam dados oficiais a propósito do dia das zonas húmidas que, esta segunda-feira, se assinala.
Com o tema "Zonas húmidas e conhecimento tradicional -- celebrar a herança cultural" o dia internacional das zonas húmidas procura sensibilizar a população para a importância desses locais, 32 deles reconhecidos em Portugal.
A efeméride celebra-se todos os anos a 02 de fevereiro com campanhas a convidar os países a protegerem as zonas húmidas, e marca o aniversário da Convenção sobre as Zonas Húmidas, um tratado para a conservação e uso racional dessas zonas que foi assinado em 1971 em Ramsar, no Irão. Chama-se por isso Convenção de Ramsar.
Portugal faz parte da Convenção desde 1980 e tem 32 sítios Ramsar, correspondendo a 133.527 hectares, indicam dados da página oficial da convenção. Fazem parte, entre outros, as lagoas de Bertiandos e S. Pedro dos Arcos, em Ponte de Lima, o Paul do Taipal em Montemor-o-Velho, a lagoa de Óbidos, as lagoas de Santo André e da Sancha, em Santiago do Cacém ou a Ria Formosa, no Algarve, entre muitos outros.
Assinaram a convenção 172 países e ao todo estão inscritas na Convenção de Ramsar mais de 2.500 sítios de zonas húmidas (reconhecidos como tendo um valor significativo) de todo o mundo, correspondendo a mais de 2,5 milhões de quilómetros quadrados, uma área equivalente ao México.
Dados oficiais indicam que quase 90% das zonas húmidas do mundo foram degradadas desde o século XVIII e que a perda de zonas húmidas é três vezes superior à perda de florestas.
No entanto as zonas húmidas são ecossistemas de importância crítica para a biodiversidade, mitigação e adaptação às alterações climáticas, disponibilidade de água doce, apontam os mesmos dados, concluindo que "são indispensáveis".
A Convenção de Ramsar considera como zonas húmidas todos os lagos e rios, aquíferos subterrâneos, zonas húmidas e pântanos, pastagens húmidas, turfeiras, oásis, estuários, deltas e planícies de maré, mangais e outras zonas costeiras e locais artificiais, como viveiros de peixes, arrozais, albufeiras e salinas.
No ano passado, num relatório submetido à Convenção, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) apontava que nos últimos anos houve uma maior sensibilização da população e das autoridades locais para o valor das zonas húmidas e o seu contributo para a adaptação e mitigação das alterações climáticas.
Também aumentaram os projetos de restauro das zonas húmidas e aumentaram os eventos para comemorar anualmente o dia. Hoje em Vila Franca de Xira, a data é assinalada com uma cerimónia que inclui a apresentação da edição de fevereiro da revista "National Geographic Portugal" que tem um artigo de fundo sobre o EVOA -- Espaço de Visitação e Observação de Aves, integrado na Companhia das Lezírias.
Como desafios o ICNF aponta a falta de planos de gestão eficazes para a maioria dos sítios Ramsar, a falta de um inventário nacional de zonas húmidas, o aumento do impacto das alterações climáticas nas zonas húmidas em geral ou o aumento da agricultura intensiva nas mesmas áreas, ou ainda a expansão de exóticas invasoras.
Como prioridade para o período 2026-2028 é apontada a necessidade de controlar e gerir as espécies invasoras mais prejudiciais, desenvolver um Inventário Nacional de Zonas Húmidas, sensibilizar mais as populações para a conservação e atualizar dados sobre os sítios.
Desde 1970 mais de 411 milhões de hectares de zonas húmidas terão sido perdidos (22% do total). E um quarto das zonas húmidas totais está em más condições ecológicas.
As zonas húmidas ocupam 6% da superfície terrestre e as principais ameaças são a poluição urbana, agrícola e industrial, a expansão urbana, a intensificação da agricultura, a drenagem e a introdução de espécies invasoras.
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