Quase um quarto das zonas húmidas do mundo perdido desde 1970

Uma parte substancial das que existem está em más condições ecológicas.

02 de fevereiro de 2026 às 08:28
Abertura ao mar da barra da Lagoa de Santo André. Foto: Luís Guerreiro
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Quase um quarto das zonas húmidas do mundo foi perdido desde 1970 e uma parte substancial das que existem está em más condições ecológicas, indicam dados oficiais a propósito do dia das zonas húmidas que, esta segunda-feira, se assinala.

Com o tema "Zonas húmidas e conhecimento tradicional -- celebrar a herança cultural" o dia internacional das zonas húmidas procura sensibilizar a população para a importância desses locais, 32 deles reconhecidos em Portugal.

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A efeméride celebra-se todos os anos a 02 de fevereiro com campanhas a convidar os países a protegerem as zonas húmidas, e marca o aniversário da Convenção sobre as Zonas Húmidas, um tratado para a conservação e uso racional dessas zonas que foi assinado em 1971 em Ramsar, no Irão. Chama-se por isso Convenção de Ramsar.

Portugal faz parte da Convenção desde 1980 e tem 32 sítios Ramsar, correspondendo a 133.527 hectares, indicam dados da página oficial da convenção. Fazem parte, entre outros, as lagoas de Bertiandos e S. Pedro dos Arcos, em Ponte de Lima, o Paul do Taipal em Montemor-o-Velho, a lagoa de Óbidos, as lagoas de Santo André e da Sancha, em Santiago do Cacém ou a Ria Formosa, no Algarve, entre muitos outros.

Assinaram a convenção 172 países e ao todo estão inscritas na Convenção de Ramsar mais de 2.500 sítios de zonas húmidas (reconhecidos como tendo um valor significativo) de todo o mundo, correspondendo a mais de 2,5 milhões de quilómetros quadrados, uma área equivalente ao México.

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Dados oficiais indicam que quase 90% das zonas húmidas do mundo foram degradadas desde o século XVIII e que a perda de zonas húmidas é três vezes superior à perda de florestas.

No entanto as zonas húmidas são ecossistemas de importância crítica para a biodiversidade, mitigação e adaptação às alterações climáticas, disponibilidade de água doce, apontam os mesmos dados, concluindo que "são indispensáveis".

A Convenção de Ramsar considera como zonas húmidas todos os lagos e rios, aquíferos subterrâneos, zonas húmidas e pântanos, pastagens húmidas, turfeiras, oásis, estuários, deltas e planícies de maré, mangais e outras zonas costeiras e locais artificiais, como viveiros de peixes, arrozais, albufeiras e salinas.

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No ano passado, num relatório submetido à Convenção, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) apontava que nos últimos anos houve uma maior sensibilização da população e das autoridades locais para o valor das zonas húmidas e o seu contributo para a adaptação e mitigação das alterações climáticas.

Também aumentaram os projetos de restauro das zonas húmidas e aumentaram os eventos para comemorar anualmente o dia. Hoje em Vila Franca de Xira, a data é assinalada com uma cerimónia que inclui a apresentação da edição de fevereiro da revista "National Geographic Portugal" que tem um artigo de fundo sobre o EVOA -- Espaço de Visitação e Observação de Aves, integrado na Companhia das Lezírias.

Como desafios o ICNF aponta a falta de planos de gestão eficazes para a maioria dos sítios Ramsar, a falta de um inventário nacional de zonas húmidas, o aumento do impacto das alterações climáticas nas zonas húmidas em geral ou o aumento da agricultura intensiva nas mesmas áreas, ou ainda a expansão de exóticas invasoras.

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Como prioridade para o período 2026-2028 é apontada a necessidade de controlar e gerir as espécies invasoras mais prejudiciais, desenvolver um Inventário Nacional de Zonas Húmidas, sensibilizar mais as populações para a conservação e atualizar dados sobre os sítios.

Desde 1970 mais de 411 milhões de hectares de zonas húmidas terão sido perdidos (22% do total). E um quarto das zonas húmidas totais está em más condições ecológicas.

As zonas húmidas ocupam 6% da superfície terrestre e as principais ameaças são a poluição urbana, agrícola e industrial, a expansão urbana, a intensificação da agricultura, a drenagem e a introdução de espécies invasoras.

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