Perda de diversidade desta espécie aumenta o risco de um colapso generalizado do ecossistema.
Os pinguins da Antártida, considerados um dos indicadores mais reveladores e importantes das alterações climáticas, anteciparam a sua época de reprodução em média duas semanas, provavelmente devido ao aquecimento global, segundo uma equipa de investigadores.
Os pinguins desempenham um papel fundamental nas cadeias alimentares da Antártida, e a perda de diversidade desta espécie aumenta o risco de um colapso generalizado do ecossistema.
Isto foi confirmado por uma equipa de investigadores liderada por cientistas das universidades de Oxford e Oxford Brookes, que observaram e monitorizaram estes animais durante uma década para corroborar esta mudança recorde na época de reprodução dos pinguins.
Os resultados deste trabalho foram divulgados na terça-feira, coincidindo com o Dia Internacional da Consciencialização sobre os Pinguins, e publicados no Journal of Animal Ecology.
Estas alterações têm consequências significativas, pois ameaçam interromper o acesso dos pinguins ao alimento e aumentar a competição entre as diferentes espécies que coexistem na região antártica.
O autor principal do estudo, Ignacio Juárez Martínez (das universidades de Oxford e Oxford Brookes), observou que os resultados revelam que provavelmente haverá "vencedores" e "perdedores" com as alterações climáticas entre as três espécies de pinguins que coexistem na região.
As condições cada vez mais subpolares da Península Antártica irão provavelmente favorecer espécies generalistas, como os pinguins-gentoo, em detrimento de especialistas polares, como os pinguins-de-barbicha, que se especializam em krill (um pequeno crustáceo crucial para a cadeia alimentar), e os pinguins-de-adélia, que se especializam em gelo.
Os investigadores examinaram as mudanças no período de reprodução dos pinguins entre 2012 e 2022, utilizando dados de 77 câmaras que monitorizaram 37 colónias na Antártida e em algumas ilhas subantárticas.
Desta forma foi garantido que as descobertas são relevantes para a espécie como um todo e não apenas para populações específicas, sublinharam os investigadores na sua publicação.
Os resultados mostraram que a época de reprodução para as três espécies avançou a um ritmo recorde. Os pinguins-gentoo apresentaram a maior alteração, adiantando em média 13 dias por década (até 24 dias em algumas colónias), representando a alteração fenológica mais rápida alguma vez registada em qualquer ave, e possivelmente em qualquer vertebrado, até à data.
Os pinguins-de-adélia e os pinguins-de-barbicha também adiantaram a sua época de reprodução em média 10 dias.
Estas mudanças recorde estão a ocorrer em relação a alterações ambientais, como o gelo marinho, a produtividade e a temperatura.
Cada câmara de monitorização estava equipada com um termómetro, permitindo aos investigadores registar também as mudanças de temperatura dentro das colónias.
Os dados revelaram que as colónias estão a aquecer quatro vezes mais rápido (0,3 graus Celsius por ano) do que a média da Antártida (0,07 graus Celsius por ano), o que as torna um dos habitats de aquecimento mais rápido da Terra.
Embora os modelos estatísticos sugiram que a temperatura pareça ser um dos principais fatores nas alterações observadas na época de reprodução, ainda não é claro se estas alterações refletem uma resposta adaptativa, que poderá criar uma incompatibilidade com outros fatores ecológicos, como a disponibilidade de presas.
Os investigadores sublinharam que, uma vez que os pinguins são considerados indicadores das alterações climáticas, os resultados deste estudo têm implicações para as espécies de todo o mundo e realçam a importância de uma monitorização contínua para compreender se esta mudança recorde nas épocas de reprodução destas espécies de pinguins está a afetar o seu sucesso reprodutivo.
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