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TVI arrisca multa após polémica de Cristina Ferreira sobre vítima de feminicídio: "Pôs-se a jeito"

Deliberação da ERC diz que as palavras da apresentadora “transferem a responsabilidade do sucedido para a(s) vítima(s)" de crime de ódio contra mulheres.

12 de março de 2026 às 14:17

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) reagiu às acusações contra Cristina Ferreira e a TVI no caso que ficou conhecido como “pôs-se a jeito” e vai avançar com um processo de contraordenação contra o canal, que pode resultar numa coima entre 20 mil e 150 mil euros. 

Em causa está o programa ‘Dois às 10’ emitido a 2 de junho de 2025 em que, durante a ‘Crónica Criminal’, Cristina Ferreira e os comentadores analisavam um caso de feminicídio e a apresentadora acabou por proferir as palavras que deram nome ao caso.  

"Nós temos mesmo que avisar as pessoas de que hoje em dia é muito complicado, mesmo relações que podem ter sido de amor do que quer que seja, quando já entram aqui nesta fase de perseguição, de algum controlo, é preciso a polícia estar avisada, os familiares estarem avisados e não… Porque eu não sei se esta mulher, depois do baile, entrou num carro com ele e aí, se calhar, é que se pôs a jeito para que isto acontecesse”, disse a apresentadora. 

A ERC considerou que as declarações de Cristina Ferreira “transferem a responsabilidade do sucedido para a(s) vítima(s), sugerindo que a decisão da mulher de acompanhar o alegado homicida foi o fator determinante para o desfecho. Simultaneamente, o agressor é desresponsabilizado, já que a morte se terá dado com base naquela decisão da mulher.” 

Além do comentário da apresentadora do ‘Dois às 10’, a ERC também analisou denúncias sobre o caso que foi exibido logo a seguir na ‘Crónica Criminal’, no mesmo programa. A TVI emitiu um vídeo de uma mulher a ser esfaqueada no programa da manhã, um horário protegido, que pode ser visto por crianças e adolescentes. 

Antes de as imagens serem emitidas, Cristina Ferreira alertou para as “imagens sensíveis”, que provocou reações dos comentadores como: “que horror!”; “Como é que isto é possível?”; “Ai, que horror…”.  

A ERC então concluiu que “a carga violenta das imagens é inequívoca”, por isso a transmissão violou os limites dos horários protegidos, entre as 22 horas e 30 minutos e as 6 horas. O próximo passo é a “abertura de um processo de contraordenação contra a Televisão Independente, S.A., proprietária do serviço de programas TVI”. 

A TVI e Cristina Ferreira defenderam-se no ano passado negando qualquer erro naquele programa. “O diretor de programas da TVI, notificado para se pronunciar sobre as participações, sustenta que ‘a esmagadora maioria das queixas faz uma errada e descontextualizada apreciação das palavras da apresentadora e do que esta quis afirmar com a expressão utilizada, conferindo-lhe um significado abusivo e preconceituoso que nunca esteve presente, nem subjacente, no efetivo discurso proferido’”, referiu o documento da ERC. 

Já Cristina Ferreira argumentou que “os comentários feitos em direto pelos intervenientes do programa são devidamente contextualizados, justificados nas individuais perspetivas pelos concretos contornos da história, são absolutamente complementares e respeitam integralmente os limites legais, sendo absolutamente falso e até vexatório que deles se consiga retirar a interpretação expendida nas participações”. 

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