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"Sou o presidente da Venezuela! Digam no meu país que fui sequestrado": os gritos de Maduro na prisão

Ex-presidente da Venezuela está detido desde o início de janeiro em Nova Iorque.

12 de março de 2026 às 15:21

Nicolás Maduro grita praticamente todas as noites na prisão. O ex-presidente da Venezuela, deposto pelos Estados Unidos na sequência de uma operação militar em que praticamente foi 'arrancado' da cama em Caracas, juntamente com a mulher, está detido em Nova Iorque desde 3 de janeiro e não se conforma. Fechado numa cela com três metros de comprimento e dois de largura, a voz de Maduro ouve-se à noite nos corredores da prisão e em espanhol. "Eu sou o presidente da Venezuela! Digam no meu país que fui sequestrado, que estamos a ser maltratados aqui!" 

O advogado de um recluso, também venezuelano, contou ao jornal ABC alguns detalhes da vida de Maduro no Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn, em Nova Iorque, um dos mais rigorosos do sistema penal norte-americano. A pequena cela em que está à espera para responder às acusações de narcoterrorismo tem uma porta de metal, um beliche fixado na parede, uma sanita, um lavatório e uma pequena janela, por onde entra pouca luz natural. 

"O Centro de Detenção do Brooklyn é um inferno na Terra. Está em estado de total abandono, com falta de verbas e de pessoal. É um lugar onde ninguém gostaria de passar um minuto sequer", explica ao ABC Sam Mangel, um consultor penitenciário, falando em portas a abrir e a fechar, gritos à noite e surtos psiquiátricos por parte dos detidos. "É uma situação miserável e desumanizante."

Os detidos podem sair três vezes por semana durante uma hora, com os pés e mãos e algemados, sempre acompanhados por dois guardas. Nesse período podem tomar banho, usar o telefone, aceder a emails ou sair até para um pequeno parque fechado. O jornal espanhol explica que Maduro está num confinamento quase permanente, sob regime de isolamento, por questões de segurança, ou não fosse ele nesta altura o detido mais famoso daquela prisão. 

Maduro e a mulher, Cilia Flores, estão acusados de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína para os Estados Unidos,  uso e posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. A defesa declara a inocência do casal e contesta a captura, que não tem dúvidas ter sido um "sequestro militar".  

O casal pediu uma vista consultar, que lhe foi concedida a 30 de janeiro, mas Maduro tem outro problema: não tem como financiar a sua defesa. O ex-presidente da Venezuela pediu licenças para poder aceder a fundos do governo venezuelano que, de acordo com a legislação do país, podem cobrir a suas despesas legais e as da mulher, mas a licença inicialmente concedida foi alterada, para que Maduro não pudesse aceder a esse financiamento direto.  

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