Reforma na Educação atira motoristas e juristas para as escolas

Reforma do Ministério da Educação atira para as escolas 128 profissionais que nunca por lá passaram, alguns com idade avançada. Diretores foram apanhados de surpresa.

06 de maio de 2026 às 01:30
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A reforma orgânica do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), levada a cabo pelo ministro Fernando Alexandre, está a provocar uma série de transferências surpreendentes de centenas de profissionais. Com a extinção da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (Dgeste) e das respetivas direções de serviços regionais (DSR), houve 325 técnicos superiores, assistentes técnicos e assistentes operacionais que foram realocados. Segundo um despacho do Governo que discrimina as mudanças, 147 passaram para as comissões de coordenação e desenvolvimento regional, 50 para a Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE) e 128 foram mesmo parar às escolas.

Estes últimos 128 são maioritariamente da DSR do Norte, muitos nunca passaram por escolas e alguns estão perto da reforma, segundo apurou o CM. Entre eles há, por exemplo, dois motoristas, colocados em agrupamentos do Porto, e dois juristas, que foram transferidos para uma escola de Águeda e outra do Porto.

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Os diretores dos agrupamentos escolares foram apanhados de surpresa e vão ter de encontrar funções para estes profissionais desempenhar. “Não se percebe de facto o que vão fazer motoristas para as escolas, não estou a ver qual será a função deles”, afirmou ao CM Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. “Em relação aos juristas, podem ser muito úteis, e até temos pedido ao MECI esse apoio, mas não faz sentido que um jurista esteja colocado num só agrupamento, mas sim que dê apoio a um conjunto de agrupamentos”, disse o dirigente, criticando o facto de estes profissionais serem colocados sem que os diretores tivessem sido informados, considerando que “a autonomia das escolas é posta em causa com este tipo de situações”.

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