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Escolas “sem bússola” com reforma do Ministério da Educação

Diretores sentem-se abandonados e sem interlocutores na tutela, depois da extinção de DGAE e IGEFE, enquanto os novos organismos não funcionam e os vice-presidentes das CCDR não são nomeados.

08 de fevereiro de 2026 às 01:30

A reforma em curso no Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI), com extinção de organismos e criação de outros, está a deixar as escolas entregues a si próprias devido à falta de interlocutores. “Os diretores sentem-se como capitães de um navio a quem roubaram as bússolas em plena tempestade. Não há a quem recorrer e o auxílio na gestão transformou-se num exercício de adivinhação”, defendeu Rui Cardoso, diretor do Agrupamento de Viso, em Viseu, que lamenta o “deserto de respostas” da parte da tutela.

O responsável fala em “ilusionismo administrativo” e lembra que depois da extinção da Direção-Geral de Administração Escolar (DGAE), do Instituto de Gestão Financeira da Educação (IGEFE ) e da Secretaria-Geral do MECI, as competências que foram atribuídas à Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) não estão a ser exercidas porque continuam por nomear os vice-presidentes responsáveis pela Educação. “Mandam-se os processos para uma estrutura que ainda não tem cabeça para pensar, nem mãos para executar”, sublinha o diretor, frisando que as Direções-Gerais de Estabelecimentos Escolares regionais “oficialmente estão condenadas, mas, como ainda não foram formalmente extintas nem integradas, vão sobrevivendo num ‘limbo’ existencial”.

Filinto Lima, da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), também admite “dificuldades em falar com interlocutores diretos” nos serviços do MECI, mas tem uma visão mais benigna da situação: “Temos de comprender que esta é uma altura de transição. Seria melhor que tivéssemos respostas mais rápidas. Mas esta é uma reforma profunda e estrutural, que vai demorar dois anos e tem de ser bem feita”. “As CCDR passam a ter grande preponderância na Educação e as nomeações dos vice-presidentes estão a demorar um bocado, mas só há 15 dias se conheceram os presidentes”, disse, desejando que sejam escolhidas pessoas “com base na competência e não por serem boys”.

Colocações de docentes comunicadas no dia seguinte

Os problemas sentidos ficaram à vista com a divulgação das colocações através da última Reserva de Recrutamento, que já saiu no site da nova Agência para a Gestão do Sistema Educativo, mas niguém foi avisado nas escolas. “A comunicação só saiu no dia seguinte à tarde e sem fazer referência específica a qualquer alteração. Este é um exemplo da falta de comunicação que neste momento existe”, afirma Rui Cardoso.

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