Região de Leiria com sistema de comunicações de emergência alternativo
Objetivo passa por "garantir comunicações fiáveis entre serviços fundamentais, mesmo quando as redes convencionais, como Internet ou telemóvel, falham".
A Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria está a implementar um sistema de comunicações de emergência alternativo, em caso de falha das redes de telemóvel e Internet, como sucedeu no apagão de 2025 ou na depressão Kristin, em janeiro.
Numa nota de imprensa, a Comunidade Intermunicipal (CIM) explicou que está a pôr em funcionamento um "sistema privado de comunicações de emergência, reforçando a capacidade de resposta e coordenação entre entidades em situações críticas".
O objetivo passa por "garantir comunicações fiáveis entre serviços fundamentais, mesmo quando as redes convencionais, como Internet ou telemóvel, falham", adiantou.
Integram a CIM os municípios de Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós.
"O sistema assenta numa infraestrutura autónoma, combinando tecnologia de satélite com voz sobre IP", permitindo "comunicações diretas e seguras entre centros operacionais, municípios e equipas no terreno, recorrendo a equipamentos tão diversos como telefones fixos, móveis ou 'smartphones'".
No centro da operação está um servidor de comunicações instalado no Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria, que abrange aqueles dez municípios, responsável pela gestão de chamadas, utilizadores e monitorização do sistema.
Segundo a CIM, "a solução foi desenhada para garantir robustez e continuidade, organizando-se em vários níveis", um centro principal, que assegura o controlo global da rede, um centro complementar (veículo de comando e comunicações), que reforça a capacidade operacional, dez municípios com ligações redundantes via satélite e 'kits' móveis de emergência, preparados para atuação no terreno, mesmo sem infraestrutura existente.
A CIM esclareceu que o sistema "inclui comunicações via satélite independentes das redes tradicionais, equipamentos distribuídos para evitar falhas críticas, soluções móveis de rápida ativação e, em alguns casos, alimentação autónoma que permite funcionamento mesmo sem energia elétrica".
"Com esta rede, entidades como Proteção Civil, municípios e centros operacionais passam a estar ligadas de forma direta e permanente", destacou, considerando que "o resultado é uma resposta mais coordenada e eficaz em situações como incêndios, cheias ou acidentes graves".
O investimento, num montante inicial de 74.850 euros mais IVA, decorre de uma candidatura ao Programa Centro 2030 e deverá estar concluído no final de maio.
À agência Lusa, o comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria, Carlos Guerra, destacou a mais-valia estratégica e operacional deste sistema de comunicações.
No âmbito estratégico, "vai permitir que os decisores políticos e todos os centros operacionais estejam ligados em situação de falha de comunicações ditas normais", as redes convencionais, "quer telefone, quer Internet", declarou Carlos Guerra.
"Por outro lado, permite também que, operacionalmente, no terreno, todos os operacionais tenham Internet em todos os locais", salientou, referindo que tal possibilita às "equipas de reconhecimento e avaliação num determinado local poderem emitir imagens, som e dados para o centro de comando".
Além disso, "permite que o veículo de comunicações e todos os veículos que têm este suporte tenham essas comunicações", assinalou Carlos Guerra.
"Portanto, temos todas as operações ligadas por Internet e voz, neste caso, e também todos os centros de decisão de âmbito político e âmbito operacional", realçou o comandante sub-regional, lembrando as consequências do apagão de 28 de abril de 2025 e a depressão Kristin, em 28 de janeiro.
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