Revelada identidade de quem denunciou assédio na Universidade de Lisboa

Áudios sem voz distorcida circulam no WhatsApp. Recebidas mais de 50 queixas de assédio moral e sexual.

07 de maio de 2022 às 10:24
protesto, universidade de lisboa Foto: Bruno Colaço
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Vários alunos, um professor e um funcionário da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL), que deram o seu testemunho sob anonimato a dois canais de televisão (RTP e TVI), sobre os casos de assédio sexual e moral naquela instituição, viram as suas identidades reveladas. Os áudios dos testemunhos estão a circular na rede social WhatsApp, sem as vozes distorcidas (como surgiram nas reportagens), permitindo assim o reconhecimento.

A RTP já participou, criminalmente, contra os autores da divulgação dos áudios e solicitou a intervenção da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista para garantir o respeito pelo anonimato das fontes de informação. A TVI seguirá o mesmo caminho. A denúncia sobre a revelação de identidade das testemunhas foi feita através das redes sociais por Miguel Lemos, professor assistente da FDUL que propôs a criação de um canal, onde foram recebidas 51 queixas: 29 de assédio moral e 22 de assédio sexual. “A minha solidariedade para as alunas que, tendo dado entrevistas, são agora duplamente vítimas. Para deleite de alguns professores e assistentes”, escreveu na rede social Twitter. Miguel Lemos terá sido alvo de um processo disciplinar, na semana passada, por ordem do reitor da Universidade. A FDUL anunciou que as denúncias, que respeitam a 31 docentes da Faculdade, constam de um relatório já enviado ao Ministério Público. A Universidade de Lisboa já tinha conhecimento de casos de assédio pelo menos desde 2019.

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