Revisão da remuneração das cirurgias adicionais em Matosinhos gera polémica

Sindicato acusa médicos de querer rever a remuneração da produção cirúrgica adicional, alterando condições de trabalho já realizado.

10 de julho de 2026 às 13:20
Revisão da remuneração das cirurgias adicionais em Matosinhos gera polémica Foto: D.R.
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O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) acusou, esta sexta-feira, a ULS de Matosinhos de querer rever a remuneração da produção cirúrgica adicional, alterando condições de trabalho já realizado, enquanto administração garante que só está a analisar uma irregularidade detetada.

Em comunicado, este sindicato afeto à Federação Nacional dos Médicos (Fnam) refere que "o conselho de administração pretende rever a remuneração da produção cirúrgica adicional realizada antes da entrada em vigor das novas regras, que apenas produzem efeitos desde 1 de julho", uma pretensão que considera "inaceitável", pelo que pediu já uma reunião urgente com os responsáveis desta Unidade Local de Saúde (ULS).

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Em resposta à agência Lusa, a administração da ULS que gere o Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, diz que "contrariamente à informação veiculada, não há nenhuma intenção de aplicação retroativa da portaria", até porque "tal não poderia acontecer porque constituiria uma ilegalidade", garante.

Mas, referindo que médicos denunciaram medidas que estão a fazer parar a produção cirúrgica em Matosinhos, o SMN reitera que "alterar as condições remuneratórias de trabalho já realizado de boa-fé pelos médicos" é "inaceitável".

E, falando em "caos instalado", o sindicato considera que "este é mais um sinal de um problema que está a alastrar a vários hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", pelo que responsabiliza a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, "pela instabilidade criada na sequência das recentes alterações legislativas e da ausência de orientações claras e uniformes sobre a produção cirúrgica adicional".

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À Lusa, o hospital de Matosinhos esclareceu que, na sequência da entrada em vigor das Portarias 274 e 281/2026, que alterou o enquadramento legal da produção adicional no SNS, a ULS de Matosinhos aprovou, a 3 de julho, um regime transitório de produção adicional interna, que vigora até à aprovação do novo regulamento interno da produção adicional (fora do horário de trabalho) pela Direção Executiva do SNS, algo que diz estar previsto na portaria.

Segundo a administração, este regime transitório tem como objetivo assegurar a continuidade da atividade assistencial, e aumenta globalmente em 9,4% as condições remuneratórias em vigor no mês anterior, garantindo a transição para o novo enquadramento legal.

Admitindo, no entanto, que o Serviço de Anestesiologia comunicou a indisponibilidade para realizar atividade assistencial adicional até à aprovação do regulamento interno definitivo, a ULS de Matosinhos sublinha que, no âmbito da elaboração do regulamento interno, foi criado um grupo de trabalho coordenado por um médico anestesista.

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"Importa esclarecer ainda que, imediatamente após tomada de posse do novo conselho de Administração [liderado pelo médico Nelson Pereira que entrou em funções a 30 de abril] foi detetada uma irregularidade nos pagamentos da produção adicional a médicos e restantes profissionais que vinham sendo praticados, que estavam a auferir 10% acima do valor máximo que a lei permitia", lê-se no esclarecimento.

Segundo a administração, estes 10% representam mais de 1,1 milhões de euros de pagamentos entre setembro de 2024 e abril de 2026, uma situação "imediatamente corrigida nas cirurgias efetuadas em maio, com processamento no salário de junho".

Quanto ao eventual efeito retroativo dessa correção, a ULS de Matosinhos revelou que encontra-se pendente de um parecer jurídico "externo e isento".

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"A ULS Matosinhos encontra-se a desenvolver todas as diligências necessárias para minimizar o impacto desta situação na atividade assistencial, continuando a acompanhar permanentemente a evolução da situação e mantendo como prioridade a salvaguarda assistencial dos seus utentes", conclui.

Já o sindicato, sublinhando saber que há outros hospitais onde estão a ser alterados os valores pagos por procedimentos, aproveita para alertar para a exclusão de profissionais das equipas, vias verdes limitadas e de aplicação de novas regras que podem fazer recair sobre as equipas o custo de dispositivos médicos implantáveis como, por exemplo, próteses da anca e do joelho, lentes intraoculares ou pacemakers.

"Os médicos sempre responderam ao apelo do SNS para operar mais e reduzir listas de espera. Mas essa disponibilidade exige regras claras, estabilidade e respeito pelos compromissos assumidos. Quando as regras mudam depois do trabalho realizado ou variam de hospital para hospital, quebra-se a confiança das equipas e quem acaba por pagar são os doentes", alerta o SMN.

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