Situação mantém-se crítica em relação a risco de cheias, alerta Proteção Civil
Está previsto novo agravamento do mau tempo a partir do final da tarde deste domingo, com possibilidade de precipitação forte nos distritos litorais do continente até Aveiro.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou este domingo que apesar do desagravamento meteorológico das últimas horas "a situação continua bastante crítica" em relação a risco de cheias, pela saturação de solos e albufeiras em níveis máximos.
"Eu quero alertar toda a população portuguesa que a situação continua bastante crítica com todas as albufeiras nos seus níveis máximos de armazenamento e, portanto, estas condições meteorológicas para o final deste domingo, madrugada de segunda-feira e para dia 10, terça-feira, onde está previsto mais um episódio meteorológico, [que] poderá ter alguma severidade, continuam a ser críticas e a manter-nos todos em profunda situação de alerta", disse o comandante nacional da ANEPC, Mário Silvestre.
No 'briefing' das 12h00 sobre o ponto de situação na prevenção e apoio às zonas e populações afetadas pelo mau tempo, na sede da ANEPC, em Carnaxide, Oeiras, o comandante nacional alertou para novo agravamento a partir do final da tarde deste domingo e para a possibilidade de precipitação forte nos distritos litorais do continente até Aveiro, "que poderá ser para aviso amarelo em algumas zonas".
"Este aparente desagravamento da situação meteorológica durante o dia de hoje não significa uma passagem do risco. Portanto, nós continuamos com risco elevado devido às inundações, não é a precipitação em si ou os fenómenos de precipitação, não é a chuva que nos vai causar problemas significativos, é a saturação dos solos e as zonas que já estão inundadas", explicou o comandante nacional.
A Proteção Civil regista até ao momento 11.213 ocorrências e mais de 1.272 deslocados, sobretudo devido a deslizamentos de terras, "a situação que mais desalojados está a criar", sublinhou Mário Silvestre, que pediu especial atenção das populações a eventuais situações de risco.
O risco mais significativo de inundações regista-se nos rios Mondego, Tejo, Sorraia e Sado, sendo que no Tejo o plano especial para as cheias se mantém no nível vermelho. Mário Silvestre adiantou também que há oito planos distritais de proteção civil ativados, 92 municipais e 19 situações de alerta por parte dos municípios.
A Proteção Civil mantém-se em nível de prontidão máximo (nível 4) até às 23:59 de segunda-feira, altura em que será feita uma reavaliação desse nível para os dias seguintes.
O fornecimento de energia ainda não foi restabelecido para 76 mil pessoas, segundo números da E-Redes, e Mário Silvestre referiu que desses 66 mil são consequência direta da passagem da depressão Kristin pela zona centro.
Mário Silvestre voltou a reforçar recomendações de prevenção e proteção às populações, apelando para que se mantenham longe dos cursos de água, que não atravessem zonas inundadas, nem de carro nem a pé, sublinhando que 30 centímetros de água são suficientes para provocar o arrastamento de pessoas e apelou para que se alertem as autoridades para situações de fissuras recentes no solo, quedas de árvores ou deslizamentos de terras.
Catorze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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