SMAS considera que crise da água em Almada foi "janela de oportunidade" para reforçar resiliência

No início de julho, o concelho de Almada, no distrito de Setúbal, viveu momentos difíceis, com a água a não chegar às torneiras em várias localidades.

10 de outubro de 2026 às 07:41
SMAS considera que crise da água em Almada foi "janela de oportunidade" para reforçar resiliência Foto: MEDIALIVRE
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A crise no abastecimento de água em Almada foi um sério aviso regional, segundo o presidente dos SMAS, para quem o cenário abriu uma janela de oportunidade para reforçar a resiliência e resolver diferendos antigos com o vizinho Seixal.

No início de julho, o concelho de Almada, no distrito de Setúbal, viveu momentos difíceis, com a água a não chegar às torneiras em várias localidades, tendo o município decretado a situação de alerta a 08 de julho, o que se manteve até final de agosto.

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O problema levou à realização de manifestações de protesto por parte da população, a um pedido de esclarecimentos da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR) e à intervenção do Governo, com a ministra do Ambiente a visitar o território.

Três meses depois da crise, o presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada, Luís Palma, explicou, em declarações à agência Lusa, que a situação está hoje mais tranquila, mas que ainda há muito caminho pela frente.

"Não foi fácil, de facto não foi fácil, mas é nestas alturas que nós provamos aquilo de que somos capazes. Demos o nosso melhor e continuamos a fazê-lo, e é essa a garantia que as populações têm", disse Luis Palma, que nas mais recentes eleições concorreu à presidência da Câmara Municipal de Almada, pela CDU (PCP/PEV), e integrou, com um acordo, a governação do concelho, liderado pela socialista Inês de Medeiros.

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Apesar de a crise aguda ter sido ultrapassada, Luís Palma defende que "não é tempo de adormecer".

"Quando chegámos em dezembro de 2025, assim que iniciámos todo um processo de reuniões, de auscultação nos vários departamentos, percebemos que iríamos encontrar dificuldades, mas não nesta escala", disse Luís Palma, adiantando que o orçamento inicial dos SMAS, em março deste ano, já previa um conjunto de obras, entre as quais dois furos que entraram em funcionamento no final de junho/princípio de julho, necessários para mitigar a situação.

Contudo, o furo que é considerado determinante é "o famoso CBR2", localizado no concelho do Seixal, que em 2025 colapsou. Os dois concelhos estão em negociação para que seja reabilitado, num diferendo que se arrasta desde abril e cuja resolução é apontada para breve.

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"Os dois furos que entraram em operação no final de junho, princípios de julho, se tivessem entrado antes como prevíamos, em maio, certamente teriam mitigado a situação, mas é claro que o famoso CBR2 é aquele que nos vai dar uma maior capacidade de podermos abastecer água em quantidade às nossas populações", explicou.

O responsável adiantou que paralelamente estão em desenvolvimento outros furos, dentro do território de Almada, que deverão ser executados dentro de cinco a seis meses.

"Temos de ter consciência da necessidade de investimento, que é muito elevado", disse, adiantando que outras das medidas a desenvolver será o combate às perdas de água e o reforço do abastecimento em áreas como a Aroeira, Marisol, Charneca e Costa da Caparica, para responder ao aumento populacional.

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Sobre o diferendo com o Seixal, o presidente dos SMAS considera que existe agora uma janela de oportunidade para a resolução das quezílias.

"Acho que podemos dar esse grande exemplo. Porque prestarmos um serviço de qualidade às nossas populações é superior a qualquer outra coisa que possa existir e foi esse o caminho que nós fizemos, que foi o do entendimento", disse adiantando que o diferendo está numa fase de resolução para a reabilitação do CBR2.

O presidente do SMAS disse compreender a posição do Seixal na defesa da sua população, mas considerou que o conflito ajudou a encontrar uma solução que permite resolver outras questões antigas.

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"Ficará bem aos dois municípios, quer a Almada, quer ao Seixal, que possam encontrar aqui um ponto comum de entendimento e de resolução", frisou.

Sem perder a perspetiva do problema em Almada, é importante, na sua leitura, que os municípios da Península de Setúbal, através da Associação Intermunicipal da Água (AIA), tenham uma estratégia para fazer face ao crescimento populacional e aos grandes projetos previstos, como o novo aeroporto.

Essas obras implicam uma relação com a margem norte do Tejo, pelo que consideram importante criar uma redundância para tornar o abastecimento de água num sistema resiliente em que as populações sejam salvaguardadas.

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É dentro deste âmbito que surge também o acordo firmado entre a Almada e a EPAL -- Empresa Portuguesa das Águas Livres para iniciar um estudo que vai permitir abastecer o concelho em caso de necessidade.

"Posso dizer que aquilo que aconteceu em Almada veio alertar todos os outros municípios e percebemos que o grande projeto da AIA na Península de Setúbal é fundamental para o abastecimento destes nove concelhos. Aliás, dois deles não fazem parte da AIA, um já manifestou vontade de integrar (Moita) e outro provavelmente também acabará por aderir (Montijo)", disse Luís Palma.

A Península de Setúbal é composta por nove municípios (Almada, Barreiro, Seixal, Sesimbra, Moita, Alcochete, Montijo, Palmela e Setúbal), com quase um milhão de habitantes, e tem uma diversidade territorial que conjuga zonas urbanas densamente povoadas e industrializadas com extensas áreas naturais de elevado valor ecológico.

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