Testes à Covid-19 em Portugal longe dos 70 mil por dia recomendados pelos especialistas
Nos primeiros quatro dias úteis da estratégia de reforço da testagem só foram realizados 33 mil ao dia.
Os testes de despistagem da Covid-19 registam uma queda acentuada. Quinta-feira foram realizados 33 408, menos de metade dos 76 965 realizados a 22 de janeiro, dia com o maior número de rastreios desde o início da pandemia, a 2 de março. A evolução acaba por ditar o contrário da estratégia adotada esta semana pela Direção-Geral da Saúde.
"Se conseguíssemos manter durante dois ou três meses cerca de 70 mil a 80 mil testes, seria bom. A média foi de 51 mil em janeiro e um bocadinho mais baixa em fevereiro, 41 mil", esclareceu a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, ao ‘Público’. A responsável acrescentou que "estima-se que se possam realizar diariamente cerca de 100 mil testes, quer PCR, quer testes rápidos de antigénio". Contudo, a média dos quatro primeiros dias úteis da semana de arranque da nova estratégia ficou-se pelos 33 150 testes.
Para o presidente da Associação de Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, "a estratégia ainda não está a acontecer". "O que se verifica é uma realização de testes motivada pelo número de novos casos. As pessoas são testadas por apresentarem sintomas ou por terem contactos de risco", acrescentou.
Ricardo Mexia explicou ainda que o que se pretende é diferente: "É realizar testes regularmente, nomeadamente em lares e unidades de saúde", para assim, explicou, "os casos positivos serem identificados mais cedo e dessa forma serem quebradas as cadeias de transmissão".
Perante uma redução dos testes realizados, a Direção-Geral da Saúde explicou que a operacionalização da estratégia ainda está em definição com o Ministério da Saúde e outros ministérios envolvidos.
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