Tragédia da Glória só tem concluídas quatro indemnizações às famílias das 16 vítimas mortais
Maioria dos 16 processos relativos aos mortos estão por terminar. Cenário é ainda pior no caso dos feridos, que precisam ter “situação clínica consolidada” antes de receberem alguma compensação.
Quase um ano depois da tragédia do Elevador da Glória, há apenas quatro indemnizações já pagas às famílias das 16 vítimas mortais – mais uma do que no início deste mês. Os dados são avançados pela seguradora Fidelidade, responsável por gerir este processo. A uma semana do primeiro aniversário do acidente de 3 de setembro do ano passado (que, além das vítimas mortais, fez 24 feridos), a Fidelidade refere que sete dos processos ainda estão em negociação.
Numa nota, a seguradora anuncia ainda que há uma família com um processo em tribunal por falta de acordo com a seguradora. Neste caso, que será o da funcionária da Santa Casa da Misericórdia morta no acidente, “estão a ser pagas pensões provisórias, que se manterão até que esteja concluído o processo no tribunal do trabalho”. Segundo o que foi noticiado em junho, a família desta vítima pediu uma indemnização de 1 milhão de euros. Como o CM divulgou na altura, o marido desta mulher justifica o montante pedido com “múltiplos danos” causados pelo acidente, além da morte de Ana Paula e do sofrimento “antes de morrer”. Entre os motivos apresentados está também o facto de a família “ter tido perdas monetárias por deixar de receber os salários” da mulher.
No comunicado divulgado esta quinta-feira, após questões enviadas pelo CM no dia anterior, a seguradora explica que “as propostas de indemnização não resultam de uma apreciação discricionária”, sendo avaliadas por uma Comissão Técnica Independente constituída para o efeito. Por isso, em relação aos três restantes processos, a Fidelidade assume que ainda não foi possível apresentar uma proposta de indemnização às famílias. Tudo porque, diz a seguradora, há a necessidade de “obtenção de documentação indispensável e das especificidades legais dos países envolvidos”. Ao todo, houve pessoas de 15 nacionalidades diferentes envolvidas no acidente do funicular.
O cenário é diferente em relação aos feridos: todos “permanecem sem a situação clínica consolidada”. Tal impede, segundo a Fidelidade, “a avaliação indemnizatória definitiva” , uma vez que a “extensão” das sequelas e dos danos precisa estar “estabilizada” antes das indemnizações.
Ao todo, já terão sido gastos, pela Fidelidade, 2,3 milhões de euros em diversas despesas relacionadas com o acidente. O processo é complexo e, por isso, cada um “tem características próprias e encontra-se numa fase distinta”. Não há previsão para que tudo esteja concluído.
Filhos: 160 euros por mês
Os filhos de André Marques, guarda-freio do Elevador da Glória que morreu no acidente, vão receber 160€ por mês até concluírem o ensino secundário. A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração da Carris. Após algum impasse burocrático, a compensação começou a ser paga em março, com efeitos retroativos. Quando ingressarem no ensino superior, vão receber "o valor mensal de 50% do Indexante de Apoio Social".
Elevadores fechados
Na sequência do acidente de há um ano, foi ordenado o encerramento de todos os elevadores da cidade. A própria Carris assume que "não há uma data fechada para a reabertura da totalidade". Só o funicular da Graça reabriu entretanto.
Carris: Site acompanha
A Carris, que explora os funiculares da cidade, inaugurou um 'site' com várias informações sobre o caso, nomeadamente "auditorias, inspeções e investimentos". Na plataforma, é possível ver que, durante o próximo mês, será aberta uma auditoria interna para averiguar o "processo de inventários". Também se iniciará uma consultoria externa para "contratação de serviços de mapeamento topográfico" deste elevador e mais dois (Lavra e Bica).
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