Informação foi esta sexta-feira avançada pela Bloco de Esquerda de Lisboa, após reunião com a Carris.
Apenas duas pessoas envolvidas no acidente do elevador da Glória, em Lisboa, têm o processo indemnizatório completo, faltando indemnizações para 38 pessoas feridas ou famílias das vítimas mortais, avançou sexta sexta-feira o BE/Lisboa, após reunião com a Carris.
"Ficou claro que apenas duas pessoas já têm o processo indemnizatório completo, faltando indemnizações para 38 pessoas feridas ou famílias das vítimas mortais. Este atraso na resposta às vítimas é algo que deve causar a maior consternação, quando já passaram 10 meses desde o mais grave acidente na história recente da cidade", adiantou o BE em comunicado, após uma reunião entre a administração da Carris (responsável pelo elevador da Glória) e os vereadores da oposição, que decorreu hoje nos Paços do Concelho, promovida pela liderança PSD/CDS-PP/IL.
Segundo o BE, que esteve representado na reunião por Ricardo Moreira, da reunião "resultou explícito que, à exceção de uma, todas as auditorias à tragédia do elevador da Glória só avançaram com a nova administração e apenas já no segundo trimestre", o que "colide" com os anúncios do presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carlos Moedas, "que foi sempre falando de várias auditorias em curso".
O BE considerou "da maior gravidade" que a tutela e a empresa "não tenham averiguado quem, em que data e em que qualidade forneceu informações incorretas" aos inspetores do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), exigindo que essa questão fosse também auditada.
A vereação bloquista referiu ainda ter recebido "com estupefação" a informação de que o contrato com a empresa de manutenção MNTC - Serviços Técnicos de Engenharia, que foi considerado de preço anormalmente baixo, não tenha sido alvo de nenhum processo de auditoria.
"O Bloco exigiu respostas céleres quanto à internalização dos processos de manutenção dos elevadores e ascensores, assim como quanto ao desenvolvimento do projeto que leve à reabertura dos equipamentos no mais curto espaço de tempo", salientou.
Na quarta-feira, o vice-presidente da CML revelou, em reunião pública, que o processo de indemnização às vítimas do acidente do elevador da Glória ainda está em curso, com compensações já pagas e outras "em negociação", sem detalhar, considerando a demora "normal".
"As compensações estão a ser tratadas e já houve compensações pagas e há outras que ainda estão - é normal - em negociação, porque há cidadãos que pedem valores - não vou classificar - com uma escala muito distinta. Isto acontece em todas as situações em qualquer parte do mundo", afirmou Gonçalo Reis (PSD), após ser questionado pela vereação do PS.
Em causa está o descarrilamento do elevador da Glória, ocorrido em 03 setembro de 2025, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
Passados cerca de 10 meses do acidente, o vereador do PS Pedro Anastácio questionou a governação PSD/CDS-PP/IL, liderada pelo social-democrata Carlos Moedas, sobre "quantas vítimas, efetivamente, já foram indemnizadas ou [com as quais] já se alcançou acordo?".
Em resposta, o vice-presidente da câmara acusou o PS de "continuar a fazer aproveitamento político" desta tragédia e assegurou que a autarquia está a cumprir com a atribuição de indemnizações, bem como no processo de auditorias, em que está a decorrer uma auditoria interna, por parte da empresa municipal Carris, e uma auditoria externa, atribuída ao CATIM - Centro de Apoio Tecnológico à Indústria Metalomecânica.
O autarca realçou ainda que, por iniciativa da governação PSD/CDS-PP/IL, a administração da Carris iria reunir-se hoje com os vereadores da oposição - PS, Livre, BE, PCP e Chega - e com os deputados municipais, na segunda-feira, para "explicar com toda a transparência" o que está a fazer.
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