Três em cada quatro portugueses manifestam preocupação com desinformação
Dados foram revelados pelo Digital News Report Portugal 2026 esta segunda-feira.
Três em cada quatro portugueses manifestam-se preocupados com a desinformação, colocando Portugal entre os países mais preocupados com este fenómeno, de acordo com o Digital News Report Portugal 2026 (DNRPT26) esta segunda-feira divulgado.
"Uma das questões mais importantes deste ano é, de facto, a parte da preocupação com a desinformação, que voltou a aumentar em 2026", sublinha, em declarações à Lusa, a investigadora da OberCom Ana Pinto Martinho, sobre as conclusões do DNRPT26, o 12.º relatório anual produzido pelo OberCom -- Observatório da Comunicação em parceria com Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) da Universidade de Oxford.
"Portanto, neste estudo, cerca de 76% dos portugueses afirmam que estão preocupados (...) com desinformação e com o que é real e falso na Internet", o que coloca Portugal entre os países "onde esta preocupação é maior", dentro dos mercados que foram analisados, prossegue.
A investigadora destaca que "uma das coisas muito importantes aqui é que esta preocupação é mais intensa ainda entre os cidadãos que continuam a confiar no jornalismo profissional". Entre quem confia nas notícias, "a preocupação com a desinformação atinge 85%".
"Temos aqui alguns resultados que nos sugerem que os portugueses distinguem cada vez mais entre informação jornalística credível e conteúdos enganosos que circulam nos ambientes digitais" e "eu acho que isto até é uma boa notícia", sublinha Ana Pinto Martinho.
Segundo o estudo, cerca de 76% dos portugueses afirmam estar preocupados com o que é real e falso na Internet, colocando Portugal entre os países mais preocupados do mundo com este fenómeno, acima da média global de 62%.
"O país surge no grupo dos mercados com níveis mais elevados de preocupação, ao lado de contextos como Nigéria, Quénia, Austrália e Estados Unidos, e destaca-se claramente no Sul da Europa, acima de Espanha, Grécia, Turquia, Itália e Croácia", segundo o estudo.
A preocupação, prossegue o relatório, "agravou-se de forma expressiva em 2026, em Portugal e no conjunto dos mercados analisados. A nível global, a média sobe 4 pontos percentuais face a 2025, passando de 58% para 62%, e esta subida verifica-se em 43 dos 48 países observados".
Em Portugal, "a subida é ainda mais forte: de 71% em 2025 para 76% em 2026, ou seja, mais 5 pontos percentuais num só ano".
Em síntese, a preocupação com a desinformação online voltou a intensificar-se em 2026 e Portugal surge, uma vez mais, entre os países onde essa preocupação é mais elevada.
Neste sentido, a desinformação ou as 'fake news' "deixou de ser uma preocupação periférica ou conjuntural: tornou-se uma disposição amplamente disseminada, estrutural e socialmente marcada, associada tanto à perceção de risco no ambiente digital como à própria relação com o jornalismo", lê-se no relatório.
A distribuição sociodemográfica desta preocupação indica que é mais intensa entre os públicos mais velhos, mais escolarizados, com maiores rendimentos e, em vários segmentos, entre as mulheres.
Em termos de género, as mulheres mais jovens "mostram níveis de preocupação superiores aos dos homens".
Este contraste é mais expressivo entre os 18-24 anos, em que 70% das mulheres desta faixa etária dizem estar preocupadas com o que é real e falso na Internet, contra 57% dos homens da mesma idade.
Ao longo do ciclo de vida, "a preocupação mantém-se elevada em ambos os sexos, mas as mulheres tendem a apresentar valores sistematicamente mais altos em quase todos os escalões".
O estudo, que integra dados de 48 mercados e mais de 97.000 inquiridos em todo o mundo, traça um retrato detalhado dos hábitos de consumo de notícias dos portugueses utilizadores de Internet, com amostra nacional representativa de 2.024 respondentes, os dados foram recolhidos entre 06 de janeiro e 20 de fevereiro de 2026.
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