Perto de 1900 jornalistas de 19 mercados, incluindo Portugal, apontam que o setor atravessa uma fase marcada por pressões simultâneas sobre a credibilidade da informação, a sustentabilidade económica das redações e a transformação tecnológica impulsionada pela Inteligência Artificial.
Metade dos jornalistas considera que a exatidão, a verificação de factos e a desinformação são o principal desafio da profissão, enquanto 49% apontam a escassez de recursos nas redações como um dos maiores problemas, concluiu um relatório intencional.
O relatório da Cision, intitulado "Estado dos Media 2026", baseado em respostas de 1.899 jornalistas de 19 mercados, incluindo Portugal, concluiu que o setor atravessa uma fase marcada por pressões simultâneas sobre a credibilidade da informação, a sustentabilidade económica das redações e a transformação tecnológica impulsionada pela Inteligência Artificial (IA).
De acordo com o relatório, 50% dos jornalistas identificam que a exatidão, a verificação de factos e o combate à desinformação são os maiores desafios enfrentado nos últimos 12 meses, à frente das restrições de recursos, referidas por 49% dos inquiridos.
A subida deste último indicador é particularmente expressiva, tendo passado de 29% em 2025 para 49% em 2026.
A investigação destacou ainda que 43% dos profissionais apontam a necessidade de lidar com o crescimento da IA e o impacto no jornalismo, enquanto 42% referem a adaptação às alterações nos comportamentos e hábitos de consumo do público.
Segundo a Cision, a conjugação de cortes orçamentais, despedimentos e equipas mais reduzidas está a obrigar os jornalistas a produzir a mesma quantidade de conteúdos com menos recursos, aumentando a dependência de materiais fornecidos por departamentos de comunicação e relações públicas (RP).
O estudo revelou que 66% dos jornalistas recorrem frequentemente a conteúdos produzidos por profissionais de RP para encontrar ideias ou obter pistas de investigação.
As redes sociais surgem em segundo lugar, com 45%, seguidas por outros meios de comunicação social, com 37%, e eventos de 'networking' do setor, com 35%.
Neste contexto, os jornalistas mostram-se cada vez mais exigentes quanto à qualidade dos contactos recebidos.
A maioria afirmou receber mais de 50 propostas por semana e 72% dizem que menos de um quarto dessas abordagens é efetivamente relevante para o público ou área de cobertura.
A relevância surge, assim, como o principal fator para captar a atenção dos profissionais da comunicação social.
Quando questionados sobre os elementos que os tornam mais propensos a considerar uma proposta, 79% referiram a adequação ao público, área de especialização ou cobertura editorial.
Seguem-se a uma perspetiva oportuna ou noticiosa do tema (35%) e a existência de dados ou pesquisas credíveis (33%).
Em sentido inverso, 82% dos jornalistas indicaram que rejeitam propostas por falta de relevância, enquanto 53% apontam o excesso de conteúdo promocional ou comercial e 34% a ausência de um ângulo editorial claro.
Para além da atividade principal, 47% dos inquiridos colaboram também em 'sites' digitais, 35% produzem conteúdos para canais próprios dos meios onde trabalham, 29% para canais pessoais, 23% para 'newsletters' e 22% para 'podcasts'.
Mais de metade dos jornalistas (54%) utilizam as redes sociais para publicar e promover conteúdos, enquanto 37% usam-nas para recolher informação e igual percentagem para interagir com audiências.
Relativamente à IA, a percentagem de jornalistas que não utilizam estas ferramentas caiu de 33% em 2025 para 21% em 2026, sinalizando uma adoção crescente destas tecnologias.
Mais de metade dos jornalistas (53%) manifestou oposição à utilização de IA para gerar propostas ou comunicados de imprensa, invocando preocupações relacionadas com a qualidade do texto, excesso de automatização, 'spam' e falta de personalização.
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