Uma centena de pessoas marcham pela criação de Museu da Resistência Antifascista no Porto

Manifestantes exigiram instalação de um museu da resistência antifascista no local que foi da PIDE, polícia criada para perseguir, vigiar e torturar opositores ao regime salazarista.

09 de maio de 2026 às 19:11
Manifestantes juntam-se em Lisboa na luta contra o fascismo Foto: Tiago Sousa Dias
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Mais de 100 pessoas marcharam este sábado no Porto pela instalação na cidade do Museu da Resistência Antifascista, num percurso entre o Museu Militar e a rua Santa Catarina, acenando ao município para que se envolva na criação do espaço.

Resistindo à chuva e pouco depois de uma forte trovoada se ter feito sentir na cidade, a marcha organizada pelo núcleo do Porto da União de Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP) arrancou da rua do Heroísmo, formada, essencialmente, por adultos de várias idades.

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"O objetivo principal e único, digamos, é que o Governo faça a instalação de um museu da resistência antifascista aqui no local que foi da PIDE", explicou à Lusa a membro do conselho consultivo da URAP Teresa Lopes.

Em comunicado, a URAP afirma que "milhares de homens e mulheres estiveram presos no edifício da rua do Heroísmo, onde durante 40 anos esteve instalada a polícia política, a tenebrosa PIDE, no Porto", sublinhando que ali "foram maltratadas, humilhadas, submetidas a cruéis torturas mais de 7.600 pessoas e, pelo menos, dois desses presos foram assassinados".

"É um período que abrange desde 1936 ao dia 26 de abril de 1974, o da libertação", sintetizou Teresa Lopes, lembrando as reuniões para ali instalar o museu havidas com o "Ministério da Defesa, Ministério da Cultura e as resoluções na Assembleia da República", sublinhando que a "última foi em setembro de 2025, que recomenda ao Governo a deslocalização do Museu Militar para ali instalar o Museu da Resistência Antifascista".

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Segundo a URAP, a 01 de setembro de 2015 foi firmado com o Exército Português um protocolo, que "responsabiliza a União pela manutenção do espaço onde se situavam as salas de interrogatório e de tortura e outros, como celas que faziam parte da prisão".

Teresa Lopes contou à Lusa que mais do que fazer a manutenção do espaço, a URAP organizou muitas visitas para escolas, algumas acompanhadas, também, por antigos presos políticos, descrevendo o que ali aconteceu.

Questionada sobre um possível espólio e outras valências que o desejado museu poderia albergar, a responsável da URAP recorreu aos exemplos dos outros museus que contam a história dos prisioneiros do Estado Novo, como o do Aljube ou de Peniche.

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Teresa Lopes lembrou depois tratar-se de "uma questão muito sensível ao povo do Porto", questionando porque é que, "sendo um edifício tão icónico, não é transformado num museu?".

Por isso, quando perguntada se gostava de ver a Câmara do Porto envolvida no processo de atração do museu para a cidade, Teresa Lopes afirmou que essa instalação seria "um benefício e um elemento de interesse" para a região.

"Há uma rede de museus da resistência e o Porto não pode ficar de fora. De Coimbra para cima, um grande número dos que foram presos, perseguidos, vinham ter aqui, eram interrogados aqui", contou.

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Segundo a URAP, a última resolução foi aprovada em 26 de setembro de 2025, recomendando ao Governo que apoie a implementação em curso do Projeto Museológico "Do heroísmo à Firmeza" envolvendo a URAP e que fixe a calendarização para a deslocalização do Museu Militar do edifício do Heroísmo para aí instalar o Museu da Resistência Antifascista no Porto.

Faz ainda parte da recomendação, segundo a União, a criação da "Rede Nacional de Museus da Resistência, em respeito pela autonomia do poder local, permitindo a articulação entre o Museu do Aljube -- Resistência e Liberdade, de Lisboa, o Museu Nacional da Resistência e Liberdade, de Peniche, e o futuro Museu da Resistência, do Porto".

"Apesar dos contactos encetados pela URAP, não nos foi, até hoje, informado que ações foram ou estão a ser promovidas, para cumprimento desta resolução", termina o comunicado.

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