Urgência regional de obstetrícia de Loures tem equipas completas para resposta segura - ULS
Diretora clínica da área hospitalar afirma que há neste momento cinco enfermeiros e quatro médicos para responder às necessidades das utentes.
A urgência regional de ginecologia e obstetrícia do hospital de Loures, que abriu esta segunda-feira, tem as equipas e as escalas completas para assegurar uma resposta segura, previsível e atempada às utentes, assegurou esta segunda-feira uma responsável da instituição.
Em declarações aos jornalistas no Hospital Beatriz Ângelo, a diretora clínica da área hospitalar da UlS Loures/Odivelas, Ana Miranda, afirmou que a urgência tem neste momento cinco enfermeiros e quatro médicos para responder às necessidades das utentes. "É óbvio que, às vezes, variam, mas é o normal".
A primeira urgência regional de ginecologia e obstetrícia do país entrou em funcionamento às 09h00 desta segunda-feira no Hospital Beatriz Ângelo, para onde são reencaminhados os casos urgentes do Hospital Vila Franca de Xira, cuja urgência fechou por falta de profissionais de saúde.
Num balanço feito às 11:00, Ana Miranda afirmou que o serviço de urgência está calmo: "Não há nenhuma grávida vinda do Hospital de Vila Franca, mas o serviço está a funcionar calmamente e, portanto, preparado para receber quem nos procurar".
Questionada se a urgência tinha espaço livre para poder receber mais grávidas, a responsável afirmou que o hospital já dá resposta a muitas grávidas fora da área de referência, sublinhando que o serviço tem "uma ótima equipa multidisciplinar" e está também em articulação com a ULS do Estuário do Tejo.
Ana Miranda disse ainda que se for necessário as puérperas são transferidas para criar mais vagas e o hospital conseguir receber as grávidas que "necessitam de parir no momento".
O diretor do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Carlos Veríssimo, acrescentou que, quando não há capacidade de resposta, o hospital comunica à plataforma que gere as vagas a nível da região para articular com a urgência pré-hospitalar e encaminhar as grávidas para os diversos sítios.
"No ano passado fizemos 2.700 partos e não temos capacidade para fazer muito mais neste momento. A rotatividade aqui também ajuda, daí que tudo o que possa vir de recursos humanos ajudar-nos são bem-vindos", disse o responsável.
Segundo Carlos Veríssimo, dos 2.700 partos realizados em 2025, 446 foram de grávidas da ULS do Estuário do Tejo, correspondendo a 27% do total de partos, devido ao "constante encerramento" da urgência do Hospital de Vila Franca de Xira.
Por isso, afirmou, "não prevejo que haja um grande aumento da nossa atividade", seja de partos, seja de outras situações ginecológicas e obstétricas, estimando esse aumento em 10%.
As equipas da ULS Loures/Odivelas asseguram 80% da prestação contínua dos cuidados de urgência e as da ULS Estuário do Tejo os outros 20%, mas o Sindicato dos Médicos da Zona Sul alertou que, apesar de o Hospital de Loures passar a ter um acréscimo de serviço, a equipa "só terá o reforço de um enfermeiro que irá de Vila Franca de Xira".
Questionado sobre este reforço, Carlos Veríssimo explicou que "o reforço de um enfermeiro, por turno, é sempre bem-vindo".
"Passamos de seis para sete, ou de cinco para seis enfermeiros especialistas, que fazem 70% dos partos normais. Portanto, é sempre uma boa ajuda", vincou.
Perante a insistência da pergunta, comentou que, num "mundo ideal", até necessitariam que a Urgência de Ginecologia e Obstetrícia de Vila Franca de Xira permanecesse aberta, "mas não é possível".
"Temos que gerir conforme podemos os recursos que temos e, neste momento, não há recursos para ter duas urgências destas abertas. (..) Agora, se os recursos de lá puderem vir reforçar os nossos, são bem-vindos", acrescentou.
Presente na conferência de imprensa, e confrontada com as críticas das comissões de utentes, dos autarcas, de que há um retrocesso nos cuidados de saúde com a concentração das urgências, a diretora clínica da área hospitalar da ULS Estuário do Tejo, Ana Azevedo, começou por dizer que "a urgência de Vila Franca já funcionava de forma muito errática há vários meses".
"Portanto, o fecho não é agora, o fecho já aconteceu. É importante que as pessoas percebam isto. E neste momento o que vamos trazer é organização (...) e a mais-valia para as grávidas é a previsibilidade, saber a urgência que está aberta e para nós, obstetras, saber que a grávida vem ter connosco", defendeu Ana Azevedo.
"É uma forma de trazer a organização, não é um retrocesso", vincou, confessando que ter uma resposta a funcionar em permanência lhe "traz algum alívio", porque sabe que "as utentes têm uma resposta efetiva e qualquer médico fica aliviado com isso".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt