Usar mal as vacinas da Covid-19 será crime
Ministério da Saúde diz que situações serão apuradas “em sede de inquérito” e quer lista de “outras pessoas prioritárias”.
O Ministério da Saúde (MS) considera “inaceitável” a utilização indevida de vacinas contra a Covid-19 e alerta que este ato pode ser “criminalmente punível, em face da factualidade concreta que venha a apurar-se em sede de inquérito”. Uma decisão que a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, considerou que “vem tarde, mas antes tarde do que nunca”. “Dizer que sobrou uma vacina é um esquema, uma desculpa. Não há sobras de vacinas. Se as coisas forem organizadas, porque planear é antecipar cenários, não vamos ter estas situações”, sublinhou esta responsável.
Em comunicado, o MS anuncia ainda que determinou que a ‘task force’ responsável pelo plano de vacinação prepare uma lista de “outras pessoas prioritárias” a quem poderá ser administrada a vacina quando, “por circunstâncias imprevistas”, não seja “possível administrar todas as doses definidas numa determinada entidade”.
Em reação, o Sindicato Independente dos Médicos disse que esta lista devia ter sido pedida antes. “A surpresa é só agora, mais de seis meses depois de se saber que se iria realizar um plano de vacinação, que o MS tenha obrigado a que uma coisa básica seja posta no terreno”, disse o secretário-geral da estrutura, Roque da Cunha. Para avaliar a aplicação dos critérios estabelecidos no plano de vacinação, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde promoverá, a partir da próxima semana, auditorias de âmbito nacional.
O comunicado do MS surge após ter sido conhecida a vacinação de pessoas não prioritárias na primeira fase, incluindo na delegação do Norte do INEM e na Segurança Social de Setúbal.
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