Vão faltar nadadores salvadores durante a época balnear deste ano
Falta de cursos e risco de contrair coronavírus afastam os nadadores das praias.
No Verão vão faltar nadadores salvadores nas praias portuguesas, o alerta é da Resgate – Associação de Nadadores do Litoral Alentejano. A falta de cursos e o risco de contágio de COVID-19 nas praias são as principais razões apontadas pela Resgate para a falta de nadadores salvadores na época balnear 2020.
António Mestre, presidente da associação que desenvolve a atividade nas praias do Litoral Alentejano, afirmou ao CM que "existe uma significativa redução de nadadores-salvadores em Portugal, porque devido à pandemia não foi possível realizar cursos".
"Este ano apenas foram formados 136 nadadores salvadores, o que é insuficiente para as necessidades do país. Todos os anos precisamos de formar cerca de 1800, porque do ano anterior apenas metade regressa às praias" explica António Mestre.
Para agravar a situação, a Resgate lembra que "este ano as aulas só devem terminar em julho e há muitos jovens, entre os 18 e 19 anos, que só terão disponibilidade para trabalharem nas praias em agosto, já com a época balnear a meio".
Ainda não foi divulgado como é que vai funcionar a época balnear, mas os nadadores salvadores avisam que não estão disponíveis para correr riscos e exigem equipamentos de proteção individual que os proteja de um possível contágio pelo covid-19.
"O perigo que um nadador corre numa reanimação é enorme, ao fazer o socorro vai pôr as mãos sobre o peito da vítima, sem que esta tenha a cara protegida. O ar que sai pela boca da vítima, os chamados aerossóis vão ficar suspensos no ar. Se aquela vítima estiver infetada com covid-19, o reanimador acabou de ser infetado", exemplifica António Mestre.
O reforço da segurança terá de passar pelo recurso a "um equipamento específico, que terá de ser adquirido pelos próprios concessionários, dotando os nadadores-salvadores de um insuflador manual que permita fazer ventilação, luvas, óculos, máscaras e fatos".
António Mestre acrescenta que ainda que nem assim há risco zero, "mesmo um equipamento auxiliar de respiração terá que ser sempre um insuflador manual, que, até isso, requer uma certa prática e temos que treinar as pessoas, caso contrário corre o risco de ser mal utilizado e contaminado".
A abertura da época balnear ainda é "incerta" para o setor que "vive do sol", seja para os concessionários de praia ou nadadores salvadores, que não sabem quando começam a trabalhar.
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