Veterinários e tratadores que ajudaram a nascer mais de 120 linces no Algarve vão ser dispensados pelo ICNF

Estado quer assumir a gestão direta do espaço que foi pago por fundos da União Europeia. Atual coordenador do espaço alerta para a "ausência de uma transição técnica, legal e operacionalmente segura".

14 de maio de 2026 às 10:32
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A equipa de veterinários e tratadores que desenvolveu o Centro de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRL), em Silves, vai ser afastada pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

O ICNF quer assumir a gestão direta deste espaço que foi criado em 2009 e de onde já saíram cerca de 120 linces que têm sido reintroduzidos em Portugal e Espanha para reforçar as populações naturais desta espécie ameaçada. A criação deste centro foi uma das contrapartidas ambientais a que Portugal ficou obrigado pela construção da barragem de Odelouca, financiada por fundos europeus.

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Rodrigo Cunha Serra, coordenador do espaço desde a sua criação há 17 anos lamenta a "ausência de uma transição técnica, legal e operacionalmente segura", considerando que "o lince-ibérico em Portugal foi recuperado através de décadas de cooperação científica, técnica e institucional entre Portugal e Espanha", através de uma "operação altamente especializada, permanente e sensível, que não pode ser substituída de um dia para o outro sem um plano robusto de transição”.

Esta transição de gestão afeta diretamente 14 profissionais altamente especializados, nomeadamente veterinários, tratadores, técnicos e especialistas que "acumularam conhecimento único sobre comportamento, reprodução, maneio e recuperação da espécie e cuja experiência constitui hoje uma componente essencial do sucesso alcançado pelo programa ibérico".

A SOS Animal Portugal já disse ser "extremamente preocupante que uma equipa com formação específica, experiência acumulada e conhecimento técnico altamente especializado nesta espécie possa ser afastada de forma abrupta, sem que tenham sido apresentados ao setor, à comunidade científica ou à sociedade civil fundamentos técnicos claros, transparentes e sustentados para esta decisão".

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Questionado pelo CM, o ICNF assumiu "um novo ciclo que agora se abre", garantindo que "os elementos agora selecionados para assegurar a continuidade da gestão do CNRLI cumprem os mesmos requisitos pedidos nos concursos públicos ao longo dos anos" e asseguram "a continuidade e sustentabilidade do trabalho desenvolvido".

A nova equipa, que será liderada por Alexandra Pereira, antiga diretora do Departamento do Bem-Estar dos Animais de Companhia no ICNF, deverá assumir funções a partir de 1 de junho.

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