Viagem de metro entre o centro de Gondomar e Estádio do Dragão demorará 20 minutos
Nova linha prevê captar 10,3 milhões de passageiros "no primeiro ano do período cruzeiro".
A viagem de metro entre o Souto, no centro de Gondomar, e o Estádio do Dragão, no Porto, cujo estudo da nova linha está em consulta pública, vai demorar 20 minutos, disse fonte da Metro do Porto à Lusa.
"O tempo de viagem para o serviço do Estádio do Dragão ao Souto será de 20 minutos e 28 segundos", disse esta quinta-feira fonte oficial da transportadora à Lusa, o que inclui paragens de 30 segundos nas estações.
A mesma fonte indicou também que a linha deverá consistir numa "ligação comercial a uma linha já existente", ou seja, "será uma linha que ligará Gondomar a todo o tronco comum [Senhora da Hora - Estádio do Dragão, servido pelas linhas A, B, C, E e F] e ao centro do Porto, por consequência", sucedendo o que já acontece com a linha Laranja (F), que liga o Senhor de Matosinhos a Fânzeres.
A nova linha, que contará com as novas estações São Roque, Cerco, Parque Oriental (as três no Porto) e Lagoa, Valbom, Hospital Fernando Pessoa, Cosme Ferreira Castro, Oliveira Martins e Souto, em Gondomar, prevê ainda captar 10,3 milhões de passageiros "no primeiro ano do período cruzeiro", "sendo que destes 4,2% advém da procura de indução".
"Relativamente aos modos concorrenciais, verifica-se uma diminuição nos utilizadores de transporte individual, de 1,4 milhões de passageiros, em paralelo com uma redução nos utilizadores de transporte público (considerando os passageiros da STCP, operadores privados e comboio) de 3,3 milhões de passageiros", pode ler-se estudo de procura realizado pela Trenmo, de Álvaro Costa.
Estes números representam ainda um "aumento de 9,0% nos passageiros na rede do Metro do Porto" no total, e para um ganho de tempo estimado no primeiro ano de operação, de 247.539 horas por ano ao transporte individual e de 661.390 horas aos restantes meios de transporte público.
Quanto à taxa dos novos utilizadores do sistema do Metro do Porto, estima-se, por estação (o estudo incluía uma estação a menos - Cosme Ferreira Castro - e nomes diferentes), 13% em São Roque, 98% no Cerco, 8% no Lagarteiro (agora designada Parque Oriental), 4% em Lagoa, 92% em Valbom, 73% no Hospital de Gondomar (Hospital Fernando Pessoa), 24% em Oliveira Martins e 10% no Souto.
"Os resultados apurados indicam que são as estações do Cerco, Valbom e Hospital de Gondomar [Fernando Pessoa] que apresentam uma taxa de captação de novos utilizadores mais elevada. Em sentido inverso, nas estações Lagarteiro [Parque Oriental], Lagoa e Souto os passageiros que já recorriam à rede de Metro são muito relevantes", refere o estudo.
Quanto à análise custo-benefício, esta conclui que "o projeto gera benefícios económicos, sociais e ambientais superiores aos seus custos, levando a um aumento de bem-estar social tal que justifica a sua implementação", mesmo que o projeto de investimento apresente "do ponto de vista financeiro, um Valor Atualizado Líquido negativo e uma Taxa Interna de Retorno inferior à taxa de desconto financeira".
Estima-se "que o projeto da linha Campanhã - Souto, via Valbom, apresente um retorno económico positivo, com um VALe [Valor Atualizado Líquido económico] de 11 milhões de euros e uma TIRe [Taxa interna de retorno económico] de (5,15%) superior à taxa de desconto social (5%)".
O custo de construção da nova linha, cujo estudo está em consulta pública no portal participa.pt até 15 de setembro, pode ir de 146,9 milhões de euros a 163,8 milhões de euros, e vai implicar a remoção de até 533 árvores, número que pode ser reduzido para 394, e ainda a demolição de 24 edifícios.
A linha terá 6,9 quilómetros e sua construção deve demorar três anos, tendo já financiamento assegurado através do programa de fundos europeus Sustentável 2030, que tem 225 milhões de euros para esta linha e para a da Trofa.
Em janeiro, o presidente da Metro do Porto, Emídio Gomes, disse que o concurso para conceção e construção da linha será lançado este ano.
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