Violação, extorsão sexual e homicídios foram os crimes violentos que mais subiram em 2025
Crime de violação mantém a tendência de crescimento e alcançou em 2025 “o valor mais elevado da última década”.
Violação, extorsão sexual, homicídios e roubos em ourivesarias foram os crimes violentos e graves que mais subiram em 2025 em relação a 2024, revela o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2025 esta terça-feira divulgado.
O RASI indica que a criminalidade violenta, caracterizada pela utilização de violência física ou psicológica e pelo elevado impacto na perceção de segurança, desceu 1,6% no ano passado em relação a 2024, com 14.149 crimes registados, enquanto a criminalidade geral subiu 31,1%, num total de 365.802 participações.
Segundo o documento, que foi esta terça-feira entregue no parlamento, na criminalidade violenta e grave os crimes que mais subiram foram os roubos a ourivesarias (+26,3%), resistência [às autoridades]e coação sobre funcionário (+15,8%), extorsão (+12,7%) e extorsão sexual (+6,8%).
O crime de violação (+6,4%) mantém a tendência de crescimento e alcançou em 2025 “o valor mais elevado da última década”, refere o relatório, que destaca igualmente o aumento de 10,1% do homicídio voluntário consumado e de 1,25% do crime de roubo, sequestro e tomada de reféns.
De acordo com o relatório, no ano passado ocorreram 98 homicídios, mais nove do que em 2024, e mais de metade ocorreram em contexto relacional, nomeadamente 28% em contexto de vizinho, 15% familiar e 13% conjugal.
De entre os crimes violentos e graves, o documento dá conta das descidas nos roubos a bancos ou outro estabelecimento de crédito (-50%), nos roubos em postos de abastecimento de combustível (-33,8%), os roubos em transportes públicos (-18,5%) e nos roubos a residências (-15,5%).
Segundo o RASI, a criminalidade violenta e grave desceu em Lisboa (-3,4%) e no Porto (-8,4%) e teve as maiores subidas nos distritos de Braga (+11,7%) e de Leiria (+11,4%).
Em relação à criminalidade participada, a Guarda Nacional Republicana (GNR), a Polícia de Segurança Pública (PSP), a Polícia Judiciária (PJ), a Polícia Marítima (PM), a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) e a Polícia Judiciária Militar (PJM) registaram em 2025 mais 10.924 crimes do que em 2024, um aumento que resulta dos crimes associados à fiscalização das autoridades e atividade policial como a criminalidade rodoviária.
De entre as tipologias com maior representatividade, comparativamente com o ano anterior, o RASI destaca a subida na condução sem habilitação legal (+28,3%), na condução de veículo com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 g/L (+23%), na burla na aquisição ou aluguer de bens móveis (+18,8%) e no furto por carteiristas (+7,75).
As maiores descidas observaram-se nos crimes de abuso de cartão de garantia ou de cartão, dispositivo ou dados de pagamento (-17,8%).
O documento indica que a violência doméstica contra cônjuge ou análogo, a ofensa à integridade física voluntária simples e a condução de veículo com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 g/l, são as tipologias criminais com maior número de participações registadas.
A criminidade geral registou no ano passado um maior aumento nos distritos de Coimbra e Leiria, ambas com aumentos superiores a 10%, verificando-se também nos distritos de Lisboa e Porto subidas perto dos 4%.
Relativamente às descidas, o documento salienta a Região Autónoma dos Açores (-8,8%) e Portalegre (-4,7%).
O RASI 2025 foi esta terça-feira aprovado no Conselho Superior de Segurança Interna, presidido pelo primeiro-ministro.
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