Homem que matou pai aos 17 anos e foi condenado a um ano de cadeia, vai agora cumprir cinco anos e meio por tráfico.
'Uber da droga' matou pai a tiro aos 17 anos
Nuno Ricardo Santos foi detido pela PSP no final de 2024 após mais de um ano de investigação. Era apontado como um dos principais fornecedores de droga a famosos na zona de Lisboa e as escutas que sustentaram o processo em tribunal comprovaram isso mesmo. De acordo com o acórdão proferido há poucos dias, o ator José Carlos Pereira, a concorrente do Big Brother Marta Gil e o judoca que conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 2020, Jorge Fonseca, estão nessas interceções telefónicas que levaram à condenação de Nuno Ricardo Santos a cinco anos e seis meses de prisão efetiva.
Para lá destes 'VIP', o tribunal deu como provado que o traficante apelidado pela PSP como 'Uber da Droga' tinha uma carteira de clientes onde constavam participantes de 'reality-shows' como Big Brother ou Casados à Primeira Vista, funcionários da TAP, empresários, médicos ou engenheiros informáticos especializados em Inteligência Artificial, entre outros. De acordo com o Observador, que cita o acórdão do coletivo de juízes presidido por Rui Alves, a rede era ainda composta por Leonel Nhaga (braço direito do cabecilha), a mãe Lucinda Santos e a mulher. Os dois primeiros foram condenados a penas suspensas, a mulher absolvida por falta de provas do único crime de tráfico de que vinha acusada. Segundo o jornal online, Nuno Ricardo Santos “tentou desresponsabilizar as co-arguidas, a mãe e a mulher”, deixando claro, até ao final do julgamento, estar convicta de que a companheira do 'dealer' participava na organização do produto, estando responsável pela “preparação e a divisão das quantias monetárias”.
Um ano preso por matar o pai a tiro
Nuno Ricardo Santos foi julgado há alguns anos pela morte do pai, que matou com um tiro. Segundo o CM apurou, o homem era toxicodependente e violento em casa. O jovem, na altura com 17 anos, terá agido em defesa da mãe e foi condenado a apenas um ano de prisão por esse crime. Conseguiu reconstruir a vida após esse episódio. Depois da prisão virou-se para o desporto, começou a trabalhar, emigrou, voltou a Portugal e abriu uma loja de desporto na Ericeira, trabalhou no ramo da cosmética e do imobiliário.
Encomendou mas não consumiu
“Uma noite, alcoolizado, juntamente com uns amigos, ligaram ao Leonel para lhe dispensar quatro pastilhas de ecstasy. E é verdade que se deslocaram junto do Leonel, mas o Jorge nunca chegou a tomar qualquer substância psicotrópica, mesmo estando de férias dos campeonatos. Nem naquele momento nem noutro, ou qualquer outro tipo de substância, como é fácil de provar pela quantidade de vezes que é controlado ao longo do ano em períodos de treinos e competições pelas entidades nacionais e internacionais responsáveis por esses controlos”, garantiu o advogado João Ferreira, que representa Jorge Fonseca, ao Observador.
E TAMBÉM
TAP - Colegas da mulher
A mulher de Nuno Ricardo Santos foi absolvida, apesar de a procuradora ter apontada a "coincidência" que na lista de clientes do marido "muitos eram hospedeiros ou comissários de bordo" - a mesma profissão da única arguida absolvida - bem como pessoal mecânico da TAP.
Droga MDMA e ‘coca’
Quando foi detido, Nuno Ricardo Santos tinha na casa onde vivia com a mãe 334 comprimidos de MDMA, comprimidos de 2C-B, embalagens com cocaína, outras com cetamina, quase 60 selos de LSD e uma balança de precisão.
Tribunal Estatuto
Para o tribunal, Nuno não traficava pelo dinheiro, mas “pelo sentimento de pertença e reconhecimento obtido, passando a beneficiar de um estatuto privilegiado junto de pares e amigos, alguns figuras mediáticas”.
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