Vírus de há 30 anos volta a assustar
Primeiro surto de hantavírus com evidências de transmissão entre humanos aconteceu em 1995. Há oito casos reportados até agora.
Passaram mais de 30 anos. Foi em março de 1995 que, pela primeira vez, os cientistas encontraram as evidências de transmissão humana de hantavírus. O surto iniciou-se em El Bolsón (província de Río Negro, na Argentina) e houve, pelo menos, 77 casos. Foi a primeira identificação da estirpe dos Andes (até então desconhecida) do hantavírus, a mesma na origem do surto no navio 'MV Hondius'.
Houve casos reportados até dezembro de 1996. Foram detetados pelo menos 19 doentes, incluindo três médicos. Uma das clínicas teve mesmo de ir para Buenos Aires na fase inicial da doença, onde foi internada. Dois dos funcionários que contactaram com ela acabaram por desenvolver uma síndrome respiratória cerca de 28 dias após o internamento. Como não era claro se se tratava de um hantavírus, os cientistas disseram que a doença era causada pelo “Sin Nombre Virus” (“Vírus sem nome”), segundo um artigo na revista ‘Medicina (Buenos Aires)’. Só durante a década de 1990, houve mais de 1200 casos confirmados, na Argentina (onde o vírus é endémico), e 500 no Chile. Em 2018/2019, em Epuyén (Argentina), houve 34 casos confirmados (incluindo 11 mortos), obrigando cerca de 100 pessoas a fazer quarentena.
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Apesar de, até agora, o hantavírus não ser comum em humanos, a hipótese de se tornar mais frequente não se deve afastar. Hugo Pizzi, infecciologista argentino, disse, citado pela AP, que as alterações climáticas podem vir a torná-lo mais frequente.
Neste surto, já morreram três pessoas e há oito casos reportados (cinco confirmados e três suspeitos). Esta quinta-feira, uma tripulante da KLM foi hospitalizada com sintomas. Esteve no voo da mulher neerlandesa que morreu em Joanesburgo (África do Sul), com quem contactou. Nos Estados Unidos, há pelo menos três pessoas sob monitorização. Quando foram conhecidas as infeções, já tinham saído do navio. Há ainda dois britânicos em isolamento, no Reino Unido, após voltarem de Joanesburgo.
Em conferência de imprensa ao início da tarde desta quinta-feira, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus explicou que a transmissão do vírus de humano para humano acontece "após contacto prolongado" com um infetado. Tal terá acontecido neste surto, dado que, após os sintomas do primeiro doente (a 9 de abril), não havia suspeitas do vírus e não foram recolhidas amostras. A mulher deste doente, que acabou por morrer, saiu do navio em Santa Helena e embarcou no voo da KLM rumo à África do Sul.
Segundo o responsável da OMS, pode haver mais casos além dos reportados (uma vez que o período de incubação pode ser de mês e meio). Apesar de ser uma situação grave, Tedros Adhanom Ghebreyesus garante que "o risco para a população em geral é baixo".
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