Viseiras de plástico protegem "muito pouco ou nada contra a Covid-19", mostra estudo
Desde o início da pandemia que se tem analisado a eficiência dos vários equipamentos de proteção.
Um estudo europeu, da Universidade de Marburgo, na Alemanha, apresentado no Congresso Europeu de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas, retirou novas conclusões sobre a proteção conferida por cada um dos equipamentos usados para proteger de uma potencial infeção por Covid-19 e concluiu que, de todos os 32 tipos estudados, a viseira de plástico é o equipamento que "muito pouco ou nada protege" contra o coronavírus.
As máscaras cirúrgicas, segundo o estudo, apresentam "bons níveis de proteção", similares à proteção de respiradores contra partículas e aerossóis.
No teste de eficácia da proteção contra aerossóis, as máscaras de tecido tinham uma capacidade de filtragem de 28%, as cirúrgicas não certificadas de 63% e as cirúrgicas certificadas tinham 70% de eficácia.
O respirador KN95 filtrou 94% das micropartículas aéreas e a máscara FFP2 apresentou capacidade de filtragem de 98%.
Foi ainda feito um teste para simular as condições de uso da máscara, em que os equipamentos foram colocados em bonecos com forma humana e foram recreadas a forma de respiração e uso dos equipamentos de proteção.
Nesta testagem, as viseiras de plástico não registaram qualquer efeito significativo, as máscaras de tecido filtraram 11,3% e as cirúrgicas não certificadas 14,2%.
Surpreendentemente, as máscaras cirúrgicas certificadas e os respiradores KN95 apresentaram capacidade de filtragem muito semelhante (47% e 41% respetivamente), enquanto ás máscaras FFP2 apresentaram eficácia de filtração de 65%.
"As máscaras cirúrgicas certificadas apresentaram bons resultados de proteção nos parâmetros que definimos. Sem surpresas os respiradores FFP2 mostraram os melhores feitos preventivos, em média. As máscaras de tecido apresentaram vários graus de proteção consoante os tipos", explica o diretor do estudo, Christian Sterr, que aconselha "as máscaras cirúrgicas para a população em geral", e "que os respiradores FFP2 devem ser reservados para serem utilizados pela comunidade médica" ou " em casos de contacto direto com infetados" em que a distância de segurança ou o uso de máscara pelo doente possa estar comprometido.
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