'Zona vermelha': Abusos sexuais nas universidades aumentam nos meses de praxes
Pressão social e necessidade de inclusão criam "tempestade perfeita".
É a chamada 'Zona Vermelha' para os jovens que estão a entrar no Ensino Superior - vai de agosto a dezembro e pode colocar os estudantes numa situação de risco de agressão sexual. As estatísticas da Rape, Abuse & Incest National Network (RAINN) indicam que mais de metade dos casos de violência sexual nas universidades ocorrem nos primeiros quatro meses do ano letivo. Fatores como a pressão social e a necessidade de inclusão criam a "tempestade perfeita" para a vulnerabilidade a agressões sexuais.
Estudantes universitários do sexo masculino (18-24 anos) têm 78% mais probabilidade do que não estudantes da mesma idade de serem vítimas de violação ou agressão sexual. Já estudantes universitárias do sexo feminino têm 20% menos probabilidade do que não estudantes da mesma idade.
A associação Quebrar o Silêncio alerta para os perigos nos rituais de integração, festas de boas-vindas e praxes. "As praxes são eventos que podem potenciar e camuflar casos de violência sexual, inviabilizando o exercício pleno do consentimento", lê-se numa publicação partilhada pela entidade no Instagram.
A falta de sistemas de apoio, de conhecimento de recursos e de familiaridade com um novo ambiente pode deixar os estudantes numa situação de perigo.
Segundo o Women's Resource Center, a maioria é vítima de um agressor que conhece e não denuncia o crime. "As caloiras são mais visadas, pois são novas no ambiente, têm menos supervisão dos pais e podem participar em novas atividades, como uso de álcool e drogas, ao tentar conhecer novas pessoas", explica.
A Quebrar o Silêncio aconselha os estudantes a criarem um plano de segurança para se protegerem de eventuais ameaças. Partilhar a localização com alguém de confiança dos eventos em que vai participar e não desvalorizar avanços indesejados são duas das recomendações.
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