"Tempestade Kristin poderá ter sido a mais forte desde que temos registo", revela IPMA
Autoridades alertam para o risco de cheias associadas à chuva da próxima semana. Norte e Centro do País serão as regiões mais afetadas.
No mais recente ponto de situação do estado do mau tempo no País, até às 15h00, as autoridades de proteção civil alertaram que os próximos dias vão continuar a trazer desafios, sobretudo ao nível das chuvas. O IPMA alerta mesmo que é esperada "precipitação em praticamente todo o território" já a partir de domingo e que se prolongará por vários dias, alertando para os desafios que a chuva poderá colocar e o risco de cheias associada.
"A próxima semana será muito chuvosa", alertou a autoridade meteorológica, descrevendo a precipitação que aí vem como "acima da média".
O foco da precipitação, acrescenta, será no Norte e Centro do território. No balanço até ao momento, as autoridades afirmam que a depressão Kristin, poderá ter sido "a maior tempestade a atingir o país desde que temos registo".
A possibilidade de cheias no território nos próximos dias está a ser acautelada. De acordo com a Associação Portuguesa do Ambiente (APA), deverão ter lugar várias descargas controladas por forma a gerir o problema. "Vamos provocar pequenas cheias, para não termos uma cheia descontrolada", referiu aquela autoridade.
Apelando à prevenção das populações, as autoridades afirmaram que questões relacionadas com a reposição de energia e o fornecimento de geradores estão também a ser acauteladas, ainda que estes equipamentos não se encontrem no terreno em vários locais afetados. "Acredito que em algumas zonas ainda não tenham chegado geradores, mas todos os pedidos estão a ser supridos", referiu o presidente da Proteção Civil.
Durante o ponto de situação, as autoridades confirmaram falhas pontuais na rede SIRESP, mas afirmaram que esta não comprometeu a resposta. "As comunicações no distrito de Leiria e noutros distritos mais afetados têm mantido uma base SIRESP constante", referiu o comandante Mário Silvestre da Proteção Civil. "Não quer dizer que não tenhamos algumas dificuldades, uma rede destas não é infalível. Mas não tem sido por falta de comunicação entre os agentes da proteção civil que temos tido dificuldades", realçou.
José Pimenta Machado, da Agência Portuguesa do Ambiente, frisou a natureza atípica do fenómeno dos últimos dias. "Estamos a viver um tempo execional, a água que vamos ter na semana seguinte é muito acima da média. Temos uma anomalia na precipitação, é anomalia sobre anomalia", afirmou o responsável, lembrando que "o clima está a mudar" e que fenómenos como a depressão Kristin "desafiam-nos a todos".
Ilustrando, lembrou que, há apenas dois anos, o Algarve tinha "a pior situação de sempre" em termos de seca. "Hoje temos as barragens todas cheias e a ponto de se fazer descargas preventivas".
A Proteção Civil, por seu turno, garantiu que os bombeiros estiveram "desde o primeiro minuto" no terreno e que dezenas de equipas ainda permanecem a dar resposta às populações.
Já sobre o clamor das populações nas zonas mais afetadas, garantiu que estas "não foram abandonadas".
"Percebo que as pessoas, com falta de energia elétrica e comunicações, se sintam isoladas, e com isso venha a sensação de abandono. De qualquer forma, desde o primeiro minuto a nossa prioridade foi a desobstrução das estradas para fazer o necessário socorro", reforçou Mário Silvestre.
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