Cheias voltam a inundar estradas e a isolar aldeias de Santarém

Subida do nível da água voltou a aftear milhares de pessoas.

04 de fevereiro de 2026 às 20:18
Cheias voltam a inundar estradas e a isolar aldeias de Santarém Foto: Ricardo Almeida
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Ismael Santos e a família vivem "com o coração nas mãos sempre que chove", devido às cheias recorrentes na zona da lezíria do Tejo, onde esta quarta-feira as águas voltaram a inundar estradas e a isolar aldeias do distrito de Santarém.

A viver há 26 anos numa espécie de casa abarracada na zona do Vale de Santarém, no concelho de Cartaxo, com mais 10 pessoas, Ismael Santos observa, com preocupação, a subida imparável das águas do Tejo, que já galgaram a estrada que liga aquela localidade à de Valada do Ribatejo.

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"Cada vez que vem muita água, é o que se vê aqui. Isto enche tudo", afirma, resignado, à agência Lusa.

Apesar de estar habituado às consequências nefastas das intempéries, confessa que sempre que chove não consegue "pregar olho" e que as últimas noites não foram exceção".

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"Já houve alturas em que isto ficou tudo cercado de água. Estamos aflitos, porque esta noite vai chover mais. Não dá para dormir. É sempre alerta".

Ismael Santos, que vive num terreno isolado, queixou-se também da inoperância das autoridades que sabem o risco para quem ali reside, mas que "fecham os olhos".

"Ainda agora esteve aí a polícia e a GNR. As viaturas passaram por aqui, mas não disseram nada", queixou-se.

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Uns metros mais à frente da habitação de Ismael Santos, as águas invadem a estrada e impedem as viaturas de avançar em segurança, isolando algumas das localidades ali existentes.

"Tentei ir à Valada, mas não vale a pena arriscar. É melhor voltar para trás", afirma um automobilista que parou o carro para conversar com Ismael.

O cenário repete-se em várias localidades ribeirinhas do distrito de Santarém, como é o caso de Vale de Figueira, onde as águas galgam a estrada e impedem o acesso rodoviário a aldeias como Reguengos do Alviela, como a Lusa constatou.

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Em vários locais colocaram-se barreiras e sinais de proibição indicando "estrada submersa", sem, contudo, a presença de autoridades policiais ou de proteção civil.

Ainda no distrito de Santarém, no concelho de Coruche, apesar do caudal do rio Sorraia parecer bastante elevado, o comandante da corporação local, Nuno Coroado, assegurou que a situação na vila ribatejana "é tranquila".

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"Neste momento nada faz prever que as águas possam galgar e chegar à vila de Coruche ou ameaçar alguma habitação", assegurou.

A garantia do comandante dos Bombeiros Voluntários de Coruche surge no dia em que a Autoridade Nacional de Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) disse estar em avaliação a necessidade de evacuar um lar com 132 utentes naquele concelho.

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