Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) fez esta quarta-feira um balanço sobre a gestão de cheias.
Rio Sado transborda em avenida de Alcácer do Sal devido à chuva intensa
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, fez esta quarta-feira um balanço sobre a gestão de cheias, destacando como um dos casos mais preocupantes o rio Sado, em Alcácer do Sal.
Numa reunião com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, o responsável disse que a depressão Leonardo já afetou toda a região sul, que todas as barragens do Algarve estão a fazer descargas (incluindo a Bravura, que durante anos não passava de 15%) e que o rio Guadiana também está a chegar a níveis muito elevados, por conta de descargas do lado de Espanha.
Na reunião Maria Felisbina Quadrado, diretora do Departamento de Recursos Hídricos da APA, fez também um ponto da situação, alertando que a próxima noite e a manhã de quinta-feira serão muito importantes, porque se espera muita chuva, especialmente no centro e norte do país.
Além das ribeiras do sotavento algarvio e do rio Sado, a responsável falou, entre outros, dos rios Tejo, Mondego, Lima e Douro.
Para esta quarta-feira e quinta-feira a previsão é de elevado risco de inundações significativas para o Rio Vouga, designadamente para as zonas de Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Ovar, Vagos e Cantanhede, enquanto no Águeda poderá ser afetada a cidade de Águeda.
Com o aumento do caudal do Mondego, devido à previsão de chuvas fortes, poderão ser afetadas as zonas de Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho e Soure.
No Rio Tejo, o aumento do caudal poderá afetar Abrantes, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Gavião, Golegã, Salvaterra de Magos, Santarém, Vila Franca de Xira e Vila Nova da Barquinha, enquanto o Rio Sorraia poderá afetar a área de Benavente.
Com elevado risco de inundações estão, no Rio Lima, as cidades de Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima, no rio Cávado, Braga, Barcelos, Vila Verde e Esposende.
No Rio Ave, poderá haver inundações em Santo Tirso, Trofa, Vila nova de Famalicão, no Rio Douro em Gondomar, Porto, Vila Nova de Gaia, Lamego e Peso da Régua.
No Rio Tâmega, em Chaves e Amarante, no Rio Lis, em Leiria, e no Rio Sado, Alcácer do Sado e Santiago do Cacém.
No balanço aos jornalistas, Pimenta Machado explicou que o rio Guadiana está a descarregar cinco mil metros cúbicos por segundo, sendo que a partir de seis mil é preocupante, por poder provocar inundações.
Mas "a proteção civil está avisada, está tudo avisado, Mértola, Alcoutim... está tudo avisado", ressalvou o responsável, dizendo que a norte, o rio Douro, está a "bordejar as margens" mas ainda em segurança (passou o pico de maré das 16:30, que era uma altura mais critica).
Quanto ao rio Tejo houve descargas da barragem de Cedillo por parte de Espanha mas em Portugal, por precaução, foram feitas "descargas agressivas" há dois dias para preparar as barragens nacionais para essa água.
Pimenta Machado explicou que o caudal do rio Tejo está a ser cuidadosamente monitorizado, indicando que o rio Mondego é outra preocupação das autoridades, que a cheia em Águeda está controlada, e que no rio Douro há quatro zonas vulneráveis, a serem monitorizadas.
Em Amarante, explicou também, a situação tem estado controlada e as pessoas estão avisadas para eventuais inundações. Nos rios Cávado, Lima, Vez ou Minho a situação está também controlada e o rio Lis galgou a margem esquerda (menos preocupante)
Pimenta Machado salientou que foram feitas pequenas cheias controladas, para evitar cheias descontroladas. "Até hoje temos conseguido", disse, salientando que ainda falta passar a depressão Leonardo e que quinta e sexta-feira ainda serão "momentos difíceis".
Portugal continental está a ser afetado pela depressão Leonardo, prevendo-se até sábado chuva persistente e por vezes forte, queda de neve, vento e agitação marítima forte, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Há uma semana o país foi atingido pela depressão Kristin, que atingiu sobretudo a região Centro e levou à morte de dez pessoas, à destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações.
Há ainda a registar centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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