Estudantes em escolas de Lisboa denunciam inação política face a crise climática
Concentrações decorreram durante o período de aulas, mas não paralisaram as escolas.
Dezenas de estudantes de estabelecimentos de ensino de Lisboa concentraram-se esta terça-feira frente às respetivas escolas, em solidariedade com as populações afetadas pela tempestade Kristin e "para denunciar a inação política face à crise climática".
A ação decorreu durante a manhã e esta tarde estão previstas outras idênticas, tendo as iniciativas da manhã decorrido sem incidentes, explicou à Lusa uma responsável do movimento Greve Climática Lisboa.
As concentrações decorreram durante o período de aulas, mas não paralisaram as escolas e, na Escola Artística António Arroio, parte dos professores também se juntaram, disse a responsável.
Os jovens exibiram cartazes com frases como "as escolas fecharam em Leiria, em crise climática não podemos estudar", "votar no fim do mundo ou lutar pelo futuro?", "promessas a seco e o governo a meter água", entre outras.
Em comunicado, a Greve Climática diz que com o protesto os jovens deixaram claro que "a crise climática já está a destruir vidas em Portugal e os poderes políticos não têm um plano" para travar a crise.
"Os estudantes exigem um plano imediato para o fim dos combustíveis fósseis até 2030, os prazos ditados pela ciência", e medidas concretas "para garantir o seu futuro", dizem no comunicado.
Segundo os jovens, o protesto é uma resposta à tempestade Kristin, "que evidenciou de forma violenta que a crise climática já não é uma ameaça distante, mas uma realidade presente".
Portugal Continental foi atingido, entre 22 e 28 de janeiro, por três tempestades consecutivas - Ingrid, Joseph e Kristin -, a última das quais deixou pelo menos dez mortos e um rasto de destruição sobretudo nos distritos de Leiria, Coimbra e Santarém
Os estudantes afirmam no comunicado que estes fenómenos não são normais nem podem ser reduzidos a "mau tempo", mas sim consequências diretas de decisões políticas que insistem na queima de combustíveis fósseis.
No comunicado, os estudantes recordam que no domingo acontecem eleições presidenciais e dizem que as opções representam "duas faces do mesmo problema": António José Seguro representa "o mesmo de sempre", o 'status quo' que conduziu à atual crise climática, e André Ventura, representa "o negacionismo climático e o fascismo".
Os estudantes convocaram para dia 9 de março, data da posse do novo Presidente da República, um protesto para as 18:30 em frente do Palácio de Belém, "para mostrar que não só os estudantes, mas toda a sociedade, recusam que a sua vida continue a ser vendida à indústria fóssil".
"Não estamos a pedir o impossível, estamos a exigir o mínimo: o direito a viver e a existência de um futuro", dizem no comunicado.
As iniciativas decorreram no Liceu Camões, Escola Artística António Arroio e Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
Na tarde desta terça-feira devem decorrer mais iniciativas nas escolas secundárias Virgílio Ferreira, em Lisboa, e Ribeiro Sanches, em Penamacor.
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