Maria José Roxo salienta que Portugal tem uma "vasta extensão de solos muito degradada".
A matéria orgânica nos solos é fundamental para captar e reter água e contribui para mitigar os efeitos das alterações climáticas, diz a professora e investigadora Maria José Roxo.
Professora catedrática da Universidade Nova, investigadora na área da desertificação, degradação de ecossistemas ou alterações climáticas, admite que Portugal tenha uma "vasta extensão de solos muito degradada", resultado de anos de mau uso da terra.
O alerta faz parte de um documento hoje divulgado pelo movimento internacional "Salve o Solo", que defende como solução para problemas relacionados com agricultura ou impacto das secas o aumento do teor de matéria orgânica no solo português entre 03 a 06%.
A degradação dos solos, diz a professora, relaciona-se com tipos de solo, de vegetação e de relevo, questões climáticas (chuvas fortes e secas prolongadas) e práticas de uso.
"Em síntese, um mau uso da terra, em que as medidas de conservação do solo no passado nunca foram uma prioridade. A acrescentar às ameaças atuais das monoculturas (olivais intensivos e superintensivos, entre outras culturas), temos a ocorrência de incêndios, ambos levando à degradação de ecossistemas e recursos vitais como o solo e a água", avisa Maria José Roxo.
A responsável salienta que a matéria orgânica, resíduos vegetais e animais, "é um dos elementos fundamentais para solos saudáveis e produtivos, oferece resistência ao impacto das gotas da chuva, e aumenta a capacidade de o solo reter água, além de dificultar a evaporação.
Solos saudáveis, com muita matéria orgânica, permitem a existência de coberturas vegetais que não só sequestram carbono da atmosfera como o armazenam.
No documento, o movimento "Salve o Solo" salienta que a Península Ibérica sofre cada vez mais com as secas e com temperaturas muito elevadas, e diz depois que o solo está no centro dos sistemas e ciclos naturais do planeta, um recurso que está a ser "sujeito a danos em todo o mundo".
Citando o mais recente relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) o movimento diz que "tem havido uma tendência alarmante da exploração excessiva dos recursos das terras".
Acrescentando que se estima que 58% do território português está em risco de desertificação, o movimento salienta o papel da agricultura nas emissões de gases com efeito de estufa: cerca de um terço das emissões de gases de efeito estufa desde 1850 pode ser diretamente atribuído a mudanças no uso das terras no planeta.
"Desde os primórdios da agricultura, cerca de 133 gigatoneladas de carbono (GtC) foram lançadas para a atmosfera por via da perda de matéria orgânica e erosão do solo, e 379 GtC por via de desmatamento e queimadas", diz.
Citando dados da ONU, o movimento afirma que a revitalização do solo pode reduzir as atuais emissões de gases com efeito estufa em 25--35% por ano, e que nesse processo podem reduzir-se os incêndios florestais.
Se os solos do planeta não forem revitalizados, avisa, o aquecimento global poderá fazer com que 840 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono sejam libertadas para a atmosfera devido à perda de carbono pelo aquecimento do solo.
O movimento"Salve o Solo", apoiado pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) e pelo Programa Alimentar Mundial, recomenda que os governos em todo o mundo criem legislação que imponha um mínimo de 3--6% de conteúdo orgânico em todos os solos agrícolas nos seus respetivos países.
O movimento foi criado por Jaggi Vasudev, normalmente citado como Sadhguru, um místico e escritor indiano que fundou a Fundação Isha.
Na página oficial do movimento alerta-se que 52% dos solos agrícolas já estão degradados e que dentro de 60 anos o mundo ficará sem solo cultivável
Em julho, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou à ação para "um futuro sem seca" e disse que "cada dólar investido na recuperação dos solos multiplica-se por 30", atendendo ao impacto ambiental positivo.
"Era possível restaurar a terra investindo um quarto dos gastos danosos para o meio ambiente", afirmou, dizendo que "cada dólar investido na recuperação dos solos multiplica-se por 30".
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