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Correio da Manhã

Sociedade
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O novo normal do clima é não haver normal    

Vagas de frio sucedem-se a ondas de calor. Uma das explicações pode estar no degelo do Ártico.
José Carlos Marques 27 de Fevereiro de 2019 às 15:51
O degelo no Ártico está a provocar mudanças no clima a nível global
O degelo no Ártico está a provocar mudanças no clima a nível global
Philip Jones é um dos maiores especialistas mundiais em alterações climáticas
O degelo no Ártico está a provocar mudanças no clima a nível global
O degelo no Ártico está a provocar mudanças no clima a nível global
Philip Jones é um dos maiores especialistas mundiais em alterações climáticas
O degelo no Ártico está a provocar mudanças no clima a nível global
O degelo no Ártico está a provocar mudanças no clima a nível global
Philip Jones é um dos maiores especialistas mundiais em alterações climáticas

O clima na Europa tem passado por extremos nas últimas semanas. No Reino Unido, por exemplo, se o final de janeiro trouxe uma vaga de frio que congelou o País, este fevereiro está a bater recordes de calor.

Os cientistas são comedidos nas análises de fenómenos atípicos - porque as exceções devem ser analisadas em séries longas de 20 a 30 anos e não no imediato -  mas cresce a perceção de que os fenómenos extremos são cada vez mais frequentes.

E tudo pode estar relacionado com o progressivo degelo que se verifica no Ártico, onde ano após ano os glaciares vão recuando.

Philip Jones, professor da Universidade de East Anglia, em Inglaterra, e um dos mais reputados especialista mundiais em alterações climáticas, explica ao CM a influência do Ártico no clima terrestre.

"É possível que o Ártico seja responsável [por esta instabilidade] mas teremos que analisar mais anos do que os últimos dois ou três. As correntes de jato circulam pelo Hemisfério Norte entre as latitudes 45 e 65N. Em alguns invernos, isto provoca mais ondas (meandros). À medida que os meandros sobem a latitudes mais a Norte e depois descem mais para Leste, isto leva a anormalidades de frio e calor nas latitudes intermédias no Hemisfério Norte", explica o cientista que assinou vários relatórios para o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), da ONU.

O professor explica que "Se a formação deste meandro [corrente de ar em serpentina] se deve à redução do gelo no Oceano Ártico, essa é uma área de pesquisa que tem estado muito ativa".

Mais do que em qualquer outro ponto do globo, as temperaturas em redor do Polo Norte têm subido ano após ano. O que significa um degelo acelerado, mais calor a chegar aos oceanos, tudo combinado para criar significativas alterações nas correntes atmosféricas, que a ciência ainda tenta compreender.

Apesar das dúvidas, há factos inquestionáveis. Na ultima segunda-feira, 25 de fevereiro, bateu-se o recorde do dia mais quente deste mês alguma vez registado no Reino Unido, com os termómetros a chegarem acima dos 20 graus em várias zonas no País.

Mas, como lembra Philip Jones, no ano passado, por esta altura, vivia-se no norte da Europa uma das maiores vagas de frio de sempre, batizada com o curioso nome de ‘A Besta de Leste’.

O que parece cada vez mais evidente é que o clima está cada vez mais imprevisível em termos globais. Neste mês de janeiro, vivemos em simultâneo a maior vaga de frio registada nos últimos 50 anos na América do Norte, ao mesmo tempo que a Austrália vivia uma onda de calor sem precedentes.

Os números mostram que os 20 anos mais quentes alguma vez registados aconteceram desde 1981. Ou que os 10 anos mais quentes de sempre ocorreram nuas últimos 12. Os oceanos já registam uma subida do nível das águas de 17 centímetros desde 1900 (indica a NASA), e as temperaturas médias subiram 1 grau. Factos que apontam para uma mudança que muitos consideram já irreversível e que não augura nada de bom.


 

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