Portugal continental registou na terça-feira mais de 1.500 ocorrências devido ao mau tempo, a maioria inundações.
O Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Coimbra revelou esta quarta-feira estar "tudo normal até agora" na região do Baixo Mondego, ainda que com "algumas ocorrências", como "quedas de árvores" e "movimentos de massas".
A mesma fonte acrescentou à Lusa que as autoridades municipais se mantêm em articulação com os bombeiros e agentes da proteção civil acorrendo a "necessidades de deslocação de pessoas", mas que a situação era considerada normal pelas 04:30 da madrugada.
Questionado especificamente sobre o estado dos diques na região do Baixo Mondego, que voltarão a estar sob pressão a meio da manhã, com a preia-mar, a mesma fonte admitiu que "há sempre o risco" de uma qualquer cedência, mas não há "indicação de qualquer incidente" deste tipo "até ao momento".
Consultada pela Lusa, uma fonte do Comando Sub-regional de Aveiro disse igualmente estar "tudo normal" na região, nomeadamente na área de Sever do Vouga, particularmente afetada por inundações e desmoronamentos provocados pelas chuvas intensas dos últimos dias.
O portal na internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registava às 05:00 um total de 178 ocorrências ativas, envolvendo 1082 operacionais e 393 veículos.
Portugal continental registou na terça-feira mais de 1.500 ocorrências devido ao mau tempo, a maioria inundações, adiantou à Lusa fonte da Proteção Civil, que assinalou também vários realojamentos ou retirada de população preventivamente e 15 resgates aquáticos.
Entre as 00h00 e 23h00 de terça-feira, foram registadas 1.514 ocorrências, a maioria por inundações (705), seguido de queda de árvores (260), movimento de massas (237), limpeza de vias (165) e queda de estruturas (131), referiu o oficial de operações da ANEPC, Pedro Araújo.
Estas ocorrências estão associadas aos fenómenos meteorológicos mais severos que atingem o continente, a chuva e o vento, e ocorreram maioritariamente no Norte e Centro do país, acrescentou.
A Área Metropolitana do Porto teve 321 ocorrências, seguido de Coimbra (223) e Aveiro (195).
No total, estiveram empenhados 4.630 operacionais e 2.089 veículos, indicou Pedro Araújo, acrescentando que a Proteção Civil não tem registo de vítimas.
Foram registados na terça-feira 15 salvamento aquáticos, sendo maioritariamente no Centro, com 11 ocorrências, na zona do Mondego.
Pedro Araújo alertou que a população deve ter "cuidados redobrados" e "evitar, de todo, ultrapassar zonas inundadas.
A água "está cada vez mais barrenta e por isso também com menor visibilidade para o que está por baixo desta água e, por isso, o risco de haver acidentes é cada vez maior".
"Têm que ser feito percursos maiores, mas em primeiro lugar a segurança", advertiu.
As autarquias de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho decidiram na terça-feira à noite retirar centenas de pessoas nas zonas ribeirinhas do Mondego.
Pedro Araújo referiu que mais de 3.500 pessoas devem ser retiradas preventivamente, ficando em casa de familiares ou em zonas de concentração e apoio à população dos respetivos municípios.
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, adiantou na terça-feira à noite que o rio Mondego está com "um risco claro dos diques [margens]" poderem colapsar e provocar inundações face às previsões de forte precipitação.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou na terça-feira que são esperados esta quarta-feira chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afetar diretamente Portugal continental.
Em aviso laranja, entre as 06h00 e 18h00 desta quarta-feira, estão Viseu, Porto, Vila Real, Santarém, Viana do Castelo, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga.
Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Setúbal e Lisboa estão, por sua vez, sob aviso amarelo de chuva, válido até às 18h00.
O IPMA colocou ainda Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Castelo Branco e Braga sob aviso amarelo por vento, válido entre as 12h00 e 21h00 desta quarta-feira.
Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.
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