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109 docentes entram no quadro sem nunca dar aulas

Concurso Externo Extraordinário vinculou 1639 candidatos, mas apenas 396 são novos professores. 57% dos professores de Matemática colocados não têm formação em ensino.

01 de fevereiro de 2026 às 01:30

O Concurso Externo Extraordinário de professores permitiu a vinculação ao quadro de 109 candidatos “sem formação em ensino e sem qualquer tempo de serviço”, revelou o movimento Missão Escola Pública (MEP), sublinhando que estes dados mostram “a fragilidade estrutural da resposta adotada e a normalização de soluções de exceção”.

Numa análise aos resultados do concurso divulgados esta semana, o MEP destaca que dos 1639 colocados, 697 (42%) não possuem habilitação profissional para a docência, uma vez que não cumpriram a formação em ensino. Além do mais, o Governo é criticado por não “garantir, em paralelo, o número de vagas necessário para que estes docentes possam aceder à profissionalização”.

A situação é mais grave em disciplinas como Português e Matemática do 3.º ciclo, que têm provas finais de avaliação, e nas quais “66% e 57%, respetivamente, dos colocados não têm habilitação profissional para a docência”.

A análise do MEP chama ainda a atenção para o facto de que 1243 dos 1639 colocados “já estavam a lecionar nas escolas, verificando-se apenas uma alteração do vínculo contratual”. Isto significa que “apenas 396 colocações correspondem a novas entradas no sistema, um número manifestamente distante da narrativa governamental que aponta para ‘1800 novos professores’ colocados no concurso externo extraordinário”. Estes 396 novos docentes são também “um número inferior às cerca de 600 aposentações registadas apenas em janeiro e fevereiro de 2026”, refere o MEP.

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