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Maioria dos professores colocados no concurso extraordinário já estava a dar aulas

Só 24,1% das colocações representam novas contratações para as escolas, número que não chega a 400 professores.

28 de janeiro de 2026 às 13:58

A maioria dos mais de 1.600 professores colocados no âmbito do concurso externo extraordinário já estava a dar aulas quando concorreu, segundo a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) que afirma que só 24% representam novas contratações.

As listas definitivas foram publicadas na segunda-feira e confirmam a colocação de 1.639 professores para as 1.800 vagas em quadros de zona pedagógica a concurso.

No entanto, segundo a Fenprof, só 24,1% representam novas contratações para as escolas, número que não chega a 400 professores.

"Das 1.639 vinculações realizadas, cerca de 75,9% correspondiam a docentes que se encontravam a lecionar à data da candidatura ao concurso", escreve esta quarta-feira a federação em comunicado, sublinhando que, apesar da importância do concurso para a vinculação dos docentes, acrescenta poucos professores ao sistema.

Por outro lado, a Fenprof refere a colocação de 697 docentes sem habilitação profissional, que ingressam na carreira de forma condicionada, consolidando o vínculo apenas após concluírem a profissionalização.

"Tal implica garantir, desde logo, que todos os que necessitam tenham acesso a vagas em cursos de profissionalização em serviço, o que não aconteceu no ano transato, tendo ficado centenas de docentes sem vaga, aos quais provavelmente se juntarão agora os docentes provisoriamente vinculados", alertam.

Segundo a análise da federação sindical, houve 13 grupos de recrutamento em que a maioria dos colocados só tem habilitação própria, dado que consideram revelar "uma crescente dependência de docentes sem habilitação profissional".

É o caso de Português e Inglês do 2.º ciclo, Português, Francês, Electrotecnia e Informática do 3.º ciclo e secundário.

A Fenprof alerta para a existência de vagas que ficaram por preencher em 12 dos 28 grupos de recrutamento, com destaque para Informática de 3.º ciclo e secundário, sem professores para 30 das 180 vagas, e Português e Inglês do 2.º ciclo e Francês do 3.º ciclo e secundário, ambos com 25 vagas por preencher, que representam 29% e 53%, respetivamente, do total de lugares disponíveis.

Os representantes dos professores deixam ainda críticas ao Governo por disponibilizar vagas para um conjunto estrito de quadros de zona pedagógica nas zonas de Santarém, Área Metropolitana de Lisboa, Alentejo e Algarve, argumentando que o problema da falta de professores "é já extensível a todo o país".

Entre os 10 quadros de zona pedagógica a concurso, apenas um -- que abrange Alenquer, Azambuja, Cartaxo, Rio Maior e Santarém -- conseguiu preencher todos os lugares disponíveis, tratando-se de uma "situação claramente excecional no panorama nacional".

"A resposta à falta estrutural de professores não se resolve com medidas avulsas ou concursos insuficientes. A solução passa, necessariamente, pela valorização efetiva da profissão docente", insiste a Fenprof.

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