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Um mar de gente - cerca de 150 mil pessoas, segundo a organização -- enche a avenida da Liberdade na noite de Santo António para ver o grande desfile das marchas populares.
Aos gritos de “Ié, ié, ié” e “A nossa marcha é linda”, as claques mais aguerridas dos bairros recebem os marchantes das 22 coletividades. A edição deste ano contou com convidados especiais do Japão e Macau, a que se juntou a bem portuguesa Confraria do Pão de Santo António. Nesta participação especial, a Confraria recriou a distribuição do pão na década de 40 do século XX, com bicicletas à antiga e cestos de pão.
VOZ DO OPERÁRIO
Uma chuva de palmas recebe as crianças da Voz do Operário. Participam extra-concurso e são uma das marchas mais acarinhadas. Este ano, os pequenos marchantes desfilam sob o signo da água, evocando profissões de antigamente em Lisboa. Vestidos de aguadeiros, os rapazes vão de barril ao ombro; vestidas de varinas, as raparigas levam canastas e sardinhas.
MERCADOS
Participam extra concurso, mas a garra é de quem luta pelos lugares cimeiros. Com o tema "Quem me acaba o resto", os comerciantes marchantes retrataram o dia a dia dos mercados de Lisboa. E como habitualmente, distribuíram rebuçados ao público. A tribuna presidencial também recebeu uma prenda: tomates cherry.
MARVILA
Cabe a este bairro da parte oriental de Lisboa abrir o desfile das marchas a concurso. Com o tema “Carrossel de fantasia”, os marchantes com máscaras douradas evocaram o antigo carrossel do bairro chinês, palco de muita brincadeira.
ALTO DO PINA
A partir do tema da chegada dos portugueses à China, a marcha mostrou o encontro de culturas e deu especial atenção ao ambiente dos arraiais. As cores dominantes foram o verde e vermelho.
PENHA DE FRANÇA
Com o tema "As Luzes de Lisboa", a marcha os vitrais das igrejas e os típicos candeeiros de Lisboa. Nos fatos e arcos, uma particularidade: tinham ‘leds’, que deram mais luz à avenida.
BAIRRO ALTO
“Bairro Alto quinhentista, do jornal e do artista” é o tema. Evoca-se a Lisboa do tempo de Eça de Queiroz e as tertúlias literárias. O cor de laranja impera nos figurinos.
AJUDA
De capote e espada, a marcha da Ajuda apresenta o tema "A história do Marquês de Pombal", evocando a vida palaciana do século XVIII e as lutas dos capotes brancos (guarda pessoal do Marquês de Pombal) contra os capotes pretos (guarda do primo do rei).
LUMIAR
O Lumiar desfila com muita cor e movimento, ou não fosse o tema “Lisboa e as sete colinas emolduradas pelo arco-íris”. De regresso à competição, enchem de cor o desfile.
ALFAMA
"Al Hamma, gentes de trabalho" é o tema. Alfama vem vestida verde, azul e branco e evoca as suas raízes árabes. Mas também mostra antigas profissões, com lavadeiras e aguadeiros. Os arcos são volumosos, mas leves.
BENFICA
É a vez da marcha de Benfica, que está de regresso à competição. As tradições rurais voltam a estar em destaque, com carroceiros de cartola e mulheres do campo vestidas para a festa. Os arcos são carroças!
ALCÂNTARA
De verde e brancos vestidos, os marchantes apresentam o tema "Lisboa alfacinha, com Alcântara no coração". Nos arcos, com barcos, a marcha faz uma homenagem à cidade, mostrando vários monumentos, o fado, quiosques e varandas.
S. VICENTE
"São Vicente pintado a azulejo" é o tema. Vestida de azul e branco, a marcha apresenta criadinhas e fidalgos, acendendo com as suas vozes a chama que torna os bravos imortais.
OLIVAIS
A cor dominante é o laranja. A marcha apresenta o tema “Lisboa, a ti se confessa”, numa homenagem ao seu padrinho, António Calvário. Na memória de todos, ainda está bem vivo o tema “Oração”. E é em estreia absoluta nas marchas que os Olivais apresentam a madrinha Madalena Iglésias.
BELÉM
Entra em campo a marcha de Belém. De azul, branco e rosa vestida, a marcha tem como tema "Belém, cais de partida". Foi de Belém que Portugal deu novos mundos ao mundo e é isso mesmo que a marcha mostra, recriando a partida dos marinheiros e com ninfas do Tejo e chorar.
BEATO
O Beato entra com arcos retratando bancas de mercado. A marcha mostra as tradições do bairro, com especial destaque para os mercados. Eles vão de padeiros e elas de sopeiras. Tudo se desenrola num ambiente de arraial popular, com namoricos e muitas piscadelas de olhos.
MOURARIA
"Mouraria, escola de fado" é o tema. Bairro fadista, a Mouraria retoma a tradição, entre xailes e guitarras. A marcha recupera uma letra de 1968 e faz uma alusão à sua escola de fado. Os marchantes vêm vestidos de vermelho, preto e branco.
BICA
Com fatos dourados, os marchantes da Bica apresentam o tema“O nosso rio é de ouro, mas o peixe é de prata”. Os arcos mostram antigos galeões. Tal como no pavilhão, a marcha arrisca na avenida e forma uma pirâmide humana com dois andares e a bandeira de Portugal.
MADRAGOA
Com o tema “Madragoa na faina dos novos mundos”, pescadores e varinas evocaram as tradições do bairro. E como sempre, marcham descalços e dançam o vira. O mar esteve sempre presente: desde o rei Neptuno, que surge dentro de uma concha, aos peixes e medusas.
GRAÇA
Entra a Graça, cheia de graça, mostrando um alegre arraial. O tema é “Graça, trono de Lisboa”. Eles vão de acendedores de candeeiros e elas de vendedoras de flores. Nos arcos, vemos candeeiros.
CASTELO
O Castelo apresenta o tema “Lavadeiras e soldados enamorados”. De vermelho e dourado vestida, a marcha evoca os soldados que outrora defendiam o Castelo e as lavadeiras do bairro. Nos arcos, ameias e corações apaixonados.
CARNIDE
De prata e vermelho vestida, a marcha apresenta o tema "Cem anos a criar Teatro". O Teatro de Carnide/Sociedade Dramática comemora o seu centenário e a marcha presta a devida homenagem.
SANTA ENGRÁCIA
De vermelho e ouro vestida, a marcha encerra o desfile às 01h34, apresentando o tema "Santa Engrácia, mascarada de sedução". Evoca-se os antigos bailes da corte, com muito brilho nos figurinos.
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