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Artigo exclusivo

Coração é o órgão mais afetado nas crianças após infeção pela Covid

Há pelo menos 91 casos de crianças diagnosticadas com síndrome pós-Covid em todo o País.

20 de abril de 2021 às 01:30

O primeiro caso foi diagnosticado em abril do ano passado, no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. Nesta altura não existia ainda a definição de MIS-C. Desde então, há registo de pelo menos 91 casos (47 na Estefânia; 20 no São João, Porto; 16 no Santa Maria, Lisboa; 4 no Beatriz Ângelo, Loures; 2 no Amadora-Sintra; 1 no Gaia-Espinho e outro no hospital da Luz Lisboa).

Trata-se de uma doença nova e que surge cerca de quatro semanas após a infeção pelo novo coronavírus em crianças, jovens e adolescentes.

“Habitualmente esta doença está restrita aos jovens adultos e é pouco frequente em crianças, mas pode acontecer. E de que forma? Quando os mais jovens são infetados pelo vírus, regra geral têm uma doença ligeira ou são assintomáticos, mas o sistema começa a lutar contra o vírus”, começa por explicar ao CM Maria João Brito, responsável pelo serviço de Infecciologia do Dona Estefânia.

De acordo com a médica pediatra, mesmo que a infeção já não exista, o sistema imunológico não percebe, “fica desregulado e ataca vários órgãos do corpo”. Os sintomas passam por febre alta, que não baixa mesmo com medicação, vómitos, diarreia e dor abdominal, como se se tratasse de uma apendicite ou de uma gastroenterite.

O tratamento obriga ao internamento e a terapêutica com imunomoduladores - substâncias que atuam no sistema imunológico de forma a regular a resposta imunológica.

No Hospital Dona Estefânia, entre as crianças diagnosticadas a média de idades foi de sete anos. Mais de 93% dos doentes ficaram com miocardite (inflamação do músculo do coração). Todas sobreviveram, mas algumas crianças apresentam alterações nos exames cardíacos ou respiratórios. Por esta razão, após o diagnóstico, ficam impedidas de fazer exercício físico.

Há ainda uma percentagem significativa atingida por problemas gastrointestinais. Menos comum, mas também possível nesta doença, é ter rins e sistema nervoso central afetados.

“Mesmo já recuperados, fazemos consultas de acompanhamento e vigilância para monitorizar. O preocupante é que não sabemos se esta síndrome vai deixar sequelas”, alerta Maria João Brito.

ecmo salvou a vida a jovem com síndrome

No Hospital de Santa Maria aconteceu o caso mais grave de MIS-C. Um jovem, de 17 anos, que não sabia que tinha estado infetado, teve de ser ligado à ECMO (aparelho que substitui os pulmões e o coração) durante uma semana, avançou ao CM a unidade hospitalar.

Chegou ao Santa Maria pela altura do Natal com febre, dor abdominal e diarreia. Tinha, ainda, uma descompensação cardíaca.

Conseguiu recuperar.

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