Estima-se que a prática ponha em risco três milhões de meninas e jovens todos os anos.
Portugal registou 433 casos de Mutilação Genital Feminina (MGF) entre janeiro de 2018 e dezembro de 2021, sendo a quase da totalidade dos registos introduzidos por unidades da Região de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.
Estes dados constam de um relatório da Direção-Geral da Saúde (DGS), do Ministério da Saúde, esta sewxata-feria, divulgado e que traça um panorama de casos verificados ou comunicados em unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
A mutilação genital feminina – que consiste na retirada total ou parcial de partes genitais, com consequências físicas, psicológicas e sexuais graves, podendo até causar a morte – ainda é uma prática comum em três dezenas de países, sobretudo africanos.
A nível global, estima-se que a prática ponha em risco três milhões de meninas e jovens todos os anos e que cerca de 200 milhões de mulheres e meninas tenham já sido submetidas à MGF.
De acordo com os dados da DGS, divulgados no Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, dos 433 casos, sete foram considerados inválidos por apresentarem informação incongruente, o que significa que no relatório foram analisados 426 registos de MGF entre 2018 e 2021.
O documento adianta que, "maioritariamente, os registos foram feitos no âmbito da vigilância da gravidez (43,4%) e os restantes durante o puerpério (22,1% - período que decorre desde o parto até ao restabelecimento da mãe), em consulta (17,6%) ou aquando de internamento (16,9%)".
O relatório adianta que desde 2014, quando começaram a ser contabilizados estes casos, foram registados um total de 668 casos de mutilação genital feminina em Portugal.
Em 2019 ocorreu uma duplicação do número de registos, seguido de uma queda de 21,4%, "provavelmente devido à pandemia por covid-19, seguido novamente de um aumento de 39,4% do número de registos anual em 2021", lê-se.
O estudo dá conta de que, nos quatro anos em análise (2018-2021) nas mulheres observadas, continua a existir uma predominância de casos realizados na Guiné-Bissau (63,8% - 272 casos) e na Guiné Conacri (27,2% - 116 casos), assim como um aumento gradual dos registos de mutilações praticadas no Senegal, com 16 casos assinalados.
Existe apenas um caso registado como tendo sido realizado em Portugal.
Na Guiné-Bissau, na Guiné Conacri e no Senegal é onde se regista a predominância de tipos de mutilação genital mais grave.
Os dados apontam que, entre 2018 e 2021, a média da idade aquando da realização do procedimento foi 8,4 anos, variando entre o primeiro ano de vida e os 39.
Em cerca de 75% dos casos, a mutilação ocorreu até aos nove anos de idade, tendência que se mantém relativamente aos anos anteriores. A média de idade atual destas mulheres é de 30,6 anos, variando entre os sete e os 56 anos.
Verifica-se ainda que os registos muitas vezes não disponibilizam a informação completa, pois especificamente sobre a idade em que ocorreu a MGF, 59,2% dos registos, entre 2018 e 2021, não tem essa informação.
O relatório da DGS refere que, entre 2018 e 2021, foram registadas complicações em 196 mulheres (46,0% da totalidade dos registos), entre as quais: 120 relativas à resposta sexual, 120 a complicações do foro psicológico, 113 com consequências obstétricas e 87 com sequelas uro-ginecológicas.
Muitas vezes, acrescenta, as complicações resultantes da MGF sobrepõem-se.
Em 54,0% dos registos efetuados não consta informação sobre eventuais complicações.
A maioria dos registos foi efetuada nos cuidados hospitalares (81,8%) e 18,2% nos cuidados de saúde primários.
A quase totalidade dos casos foi registada em unidades inseridas na ARSLVT, existindo apenas um em Braga.
A nível hospitalar, o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora/Sintra) isola-se na quantidade de registos efetuados e nos cuidados de saúde primários destaca-se o Centro de Saúde de Queluz.
Segundo dados da UNICEF de 2021 citados no relatório, pelo menos 200 milhões de adolescentes e mulheres vivas atualmente foram submetidas a MGF em 30 países diferentes.
De acordo com a informação sobre os perfis estatísticos dos países sobre a MGF publicados pela UNICEF, na Guiné-Bissau quase metade (45%) de todas as raparigas e mulheres em idade reprodutiva já foram submetidas à MGF.
Em algumas regiões essa percentagem é de 80%. Na Guiné Conacri, a percentagem de raparigas e mulheres dos 15 aos 49 anos de idade que sofreram MGF é ainda mais elevada (95%), com algumas variações por etnia e religião.
As mulheres que constam nos registos em Portugal são provenientes de países como a Costa do Marfim, Egito, Eritreia, Etiópia, Gâmbia, Gana, Guiné Conacri, Guiné-Bissau, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, Somália e Sudão.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.