Para além do bloqueio feito desde manhã à circulação rodoviária na rotunda de São Pedro da Torre, os agricultores realizaram ainda uma marcha lenta.
Acesso a Valença e Espanha pela EN13 cortado e A3 condicionada por protesto de agricultores
A rotunda da Estrada Nacional 13 em São Pedro da Torre, Valença, esteve esta terça-feira cortada devido à marcha lenta do Movimento Agricultores do Norte e a circulação na A3 esteve condicionada entre as portagens e a ponte internacional Valença-Tui.
O Movimento de Agricultores do Norte desmobilizou na noite detsa terça-feira o bloqueio em Valença devido à promessa "de uma reunião presencial, na zona Norte, com a ministra da Agricultura, na próxima semana", revelou à Lusa o porta-voz.
"Estamos a reunir para desmobilizar. Tivemos o contacto de uma secretária da ministra da Agricultura e a promessa de uma reunião presencial, na zona Norte, com a ministra, em data a acertar na próxima semana", disse à Lusa, às 20h00, Fábio Viana, do Movimento dos Agricultores do Norte, que hoje se mobilizou pela primeira vez para mostrar que as reivindicações e problemas do Norte são "diferentes" e "agravados" em relação ao resto do país.
Os agricultores decidiram, então, desbloquear o acesso do trânsito à rotunda de São Pedro da Torre da Estrada Nacional 13, cortada à circulação desde manhã, e onde chegaram a equacionar passar a noite, enquanto esperavam que "algum decisor político" os contactasse.
Para além do bloqueio feito desde manhã à circulação rodoviária na rotunda de São Pedro da Torre, com vários tratores e outras viaturas pesadas, pelas 17h30, os agricultores iniciaram, no sentido Norte-Sul, uma marcha lenta, tanto na Estrada Nacional 13 como na A3, disse Fábio Viana.
A ideia é dirigirem-se à rotunda de São Pedro da Torre, que continua "completamente cortada ao trânsito nos dois sentidos" da EN 13, de acordo com a GNR de Viana do Castelo.
Pelas 18h00, o responsável indicou à Lusa que a marcha lenta dos agricultores deveria levar mais uma hora para chegar à rotunda de São Pedro da Torre.
No local, o movimento avisou que pretende manter os bloqueios em Valença até serem ouvidas reivindicações com "mais de 20 anos", específicas da região Norte, alertando para o risco de encerramento de 70% a 80% de explorações.
"Não vamos sair daqui até sermos ouvidos. Viemos como se vai para a guerra: viemos, mas não sabemos quando saímos. E vamo-nos fazer ouvir. Querem-nos sufocar, mas o nosso último grito vai ser muito alto", afirmou à Lusa Fábio Viana.
O porta-voz alertou que "o Norte não é na África Central, embora esteja um bocadinho distante", vincando que o Governo tem conhecimento dos problemas dos agricultores da região mas apresentou ainda qualquer resposta.
"Sofremos os problemas que sofrem a nível nacional, mas são agravados", vincou
A informação foi avançada à Lusa pelo Comando de Viana do Castelo da GNR, que aponta Vila Nova de Cerveira e a A27 como alternativa para a entrada em Espanha, atendendo ao facto de "não haver previsões" quanto à conclusão do protesto dos agricultores, que começou pelas 06:30 com cerca de 100 viaturas.
Na EN13, no sentido Sul-Norte, o trânsito estava, pelas 09h00, parado a partir de Vila Meã, ainda no concelho de Vila Nova de Cerveira, segundo constatou a Lusa no local.
Fonte da GNR de Viana do Castelo explicou à Lusa que a dificuldade de circulação na EN13 em Vila Nova de Cerveira se deve à interdição da rotunda de São Pedro da Torre, já no concelho de Valença.
Na A3, a saída para São Pedro da Torre também está cortada em ambos os sentidos, ao passo que a circulação na autoestrada está "condicionada entre as portagens de Valença e a ponte internacional Valença-Tui".
No sentido Espanha-Portugal, as viaturas estão "em circulação", de acordo com a GNR.
O Movimento Agricultores do Norte iniciou esta terça-feira, pelas 06h30, uma marcha lenta em Valença com cerca de 100 viaturas que já estão a bloquear os acessos à cidade no sentido Sul/Norte, disse à Lusa o porta-voz.
"Estamos na via rápida, na zona de S. Pedro [da Torre]. Já não passa ninguém no sentido Sul -- Norte. A ideia é bloquear a zona das rotundas em Valença. Em Valença vai parar tudo. A ideia é mobilizar o concelho todo", afirmou Fábio Viana, do Movimento dos Agricultores do Norte, pelas 07h20.
Na iniciativa que pretende "sensibilizar a sociedade e o poder político para o atual panorama dramático do setor agrícola no Norte de Portugal" envolve cerca de 100 viaturas, entre 60 viaturas ligeiras e 30 tratores.
Os manifestantes apresentam-se como um "movimento cívico com a representação de agricultores, empresários agrícolas e cidadãos, com o objetivo de sensibilizar a sociedade e o poder político para o atual panorama dramático do setor agrícola no Norte de Portugal".
A ação desta terça-feira é desenvolvida "em simultâneo com outras ações de protesto desenvolvidas do lado espanhol da fronteira pela Agrupacion Nacional de Agricultores y Ganaderos del Sector Primário".
No Caderno reivindicativo a que a Lusa teve acesso, o movimento pede o "reajustamento da cadeia de valor com maior valorização da produção primária e rotulagem clara para o consumidor sobre preço pago ao produtor e margens da distribuição", a par da "valorização de produtos endógenos e de cadeias curtas de abastecimento".
Os agricultores do Norte pretendem, ainda, "estratégias claras de melhoria da atratividade da atividade agrícola e de renovação do capital humano", nomeadamente o "aumento do valor do prémio à primeira instalação para jovens agricultores".
Entre outras medidas, reclamam o "bloqueio às importações de produtos alimentares extracomunitários que tenham sido produzidos em tipos de produção que não estejam sujeitos às mesmas normas de fitossanidade, proteção ambiental e de bem-estar animal da União Europeia".
O Governo avançou com um pacote de ajuda de mais de 400 milhões de euros destinados a mitigar o impacto provocado pela seca e a reforçar o Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC), garantindo que a maior parte das medidas entra em vigor este mês, com exceção das que estão dependentes de 'luz verde' de Bruxelas.
A Comissão Europeia vai preparar uma proposta para a redução de encargos administrativos dos agricultores, que será debatida pelos 27 Estados-membros a 26 de fevereiro.
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