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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Metade das escolas consegue contrariar impacto da pobreza no sucesso escolar

Alunos beneficiários de Ação Social Escolar contrariam as expetativas para o seu desempenho académico.

04 de abril de 2025 às 08:40

As condições socioeconómicas continuam a condicionar o desempenho dos alunos, mas não são determinantes e cerca de metade das escolas públicas conseguiu contrariar a ligação entre pobreza e insucesso escolar.

Em média, e ao longo da escolaridade obrigatória, são poucos os alunos que ficam para trás e não conseguem concluir os estudos no tempo esperado, mas os dados mostram que as dificuldades são sobretudo sentidas pelos estudantes mais carenciados.

Ainda assim, há escolas que conseguem minimizar o impacto das condições socioeconómicas no desempenho académico e onde os alunos beneficiários de Ação Social Escolar (ASE) conseguem mesmo contrariar as expectativas para o seu sucesso.

Essa é uma das conclusões da análise feita pela Lusa ao indicador de equidade que acompanha os alunos com ASE e compara o seu sucesso escolar com a média nacional dos alunos com um perfil semelhante à entrada de cada ciclo de estudos.

No ano letivo 2022/2023, a que se referem os dados mais recentes disponibilizados pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação, 1.228 estabelecimentos de ensino alcançaram níveis positivos equidade, o que representa 56,48% do total de mais de duas mil escolas públicas analisadas.

Do 1.º ciclo ao ensino secundário, é entre o 5.º e 6.º anos de escolaridade que mais escolas foram capazes de minimizar o impacto do contexto socioeconómico nos resultados dos estudantes mais carenciados.

Naquele ano de 2022/2023, 96% dos alunos concluíram o 2.º ciclo no tempo esperado. Olhando apenas para os alunos com ASE, a taxa de conclusão desce para os 92%, mas seis em cada 10 escolas conseguiram que os seus alunos carenciados tivessem mais sucesso do que a média nacional.

Por outro lado, a tarefa parece ser mais difícil quando os jovens chegam ao ensino secundário, sendo também este o nível de ensino em que os alunos carenciados mais se distanciam dos restantes colegas: 70% conseguiu concluir o secundário em três anos, abaixo da média nacional de 77%.

Ao longo do ensino obrigatório, é nesta última fase que menos escolas alcançaram níveis positivos de equidade (50,33%), mas há estabelecimentos que se destacam pela positiva e é precisamente ao ensino secundário que pertence aquela onde os alunos com ASE tiveram mais sucesso em comparação com a média nacional.

Na Escola Secundária de Monção, só um dos 19 alunos com ASE que entraram para o 10.º ano em 2020/2021 é que não terminou o secundário em três anos.

Olhando para os estudantes com um perfil semelhante à entrada, a taxa de conclusão no tempo esperado de 95% deixa a escola daquela vila raiana 25 pontos percentuais à frente da média nacional de 70%. Se os alunos acompanhassem essa média, seis teriam ficado para trás.

Pela negativa, destaca-se a Escola Secundária Eça de Queirós, em Lisboa, onde apenas seis dos 20 beneficiários de ASE terminaram o secundário em três anos, ou seja, 30%, muito abaixo da média nacional de 70%. No caso desta escola, o expectável seria que 14 alunos tivessem sucesso.

Por distritos, mantém-se a tendência dos anos anteriores e se, por um lado, as escolas de Lisboa e Setúbal têm mais dificuldade em contrariar a ligação entre pobreza e insucesso escolar, as escolas de Viana do Castelo e Braga conseguem ultrapassar as desvantagens à partida.

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