Maria da Graça Carvalho diz que fenómenos extremos exigem uma adaptação estrutural das infraestruturas energéticas.
A ministra do Ambiente e Energia defendeu esta segunda-feira o enterramento de linhas elétricas para reforçar a resiliência da rede, numa altura em que cerca de 149 mil clientes permanecem sem eletricidade após a tempestade Kristin.
Maria da Graça Carvalho falava numa conferência de imprensa conjunta com o comissário europeu para a Energia e Habitação, Dan Jørgensen, após uma reunião bilateral e uma mesa-redonda com representantes do setor energético.
A governante afirmou que os fenómenos extremos associados às alterações climáticas exigem uma adaptação estrutural das infraestruturas energéticas, sublinhando que Portugal tem atualmente apenas cerca de 20% da rede elétrica enterrada.
"Temos de pensar a nossa rede de uma forma diferente", afirmou a ministra, admitindo a necessidade de aumentar o enterramento de linhas, apesar dos custos acrescidos, num contexto em que tempestades desta dimensão eram raras no passado.
A ministra comparou a situação portuguesa com a de outros países europeus, como Espanha e Itália, onde a percentagem de redes subterrâneas atinge cerca de 45%, defendendo uma abordagem equilibrada entre custos para consumidores e contribuintes e ganhos de resiliência. O investimento necessário para esta estratégia não foi detalhado.
No entanto, adiantou que no plano europeu o reforço da resiliência das redes portuguesas foi discutido com a Comissão Europeia no âmbito do futuro pacote europeu para as redes elétricas ("grid package"), defendendo que as necessidades de países periféricos, como Portugal, devem ser consideradas no financiamento comunitário.
Segundo a governante, a tempestade Kristin provocou falhas generalizadas em toda a cadeia da rede elétrica, afetando alta, média e baixa tensão, tendo deixado, na primeira noite, cerca de 1,1 milhões de clientes sem eletricidade.
"A alta tensão está já resolvida, mas persistem problemas significativos na baixa tensão", disse, adiantando que, no momento, faltava repor o fornecimento a cerca de 149 mil clientes, dos quais 122 mil eram residenciais.
De acordo com a ministra, cerca de 100 mil desses clientes concentram-se numa única região, Leiria, sendo estas "as situações mais difíceis" de resolver, após o cumprimento do compromisso da E-Redes de recuperar 80% da rede em cinco dias. Isto apesar de em algumas zonas a forte chuva e vento que se fez sentir esta segunda-feira de madrugada ter complicado a reparação e, até mesmo, causado mais danos.
Maria da Graça Carvalho destacou ainda o esforço de mobilização de geradores, referindo que estão a ser distribuídos mais de 200 equipamentos, entre meios públicos e privados, para garantir o funcionamento de infraestruturas críticas, escolas, empresas e sistemas de abastecimento de água.
A ministra sublinhou que cerca de 90 a 95% das instalações de água já se encontram operacionais, graças ao recurso a geradores, reconhecendo o trabalho conjunto de entidades públicas, operadores privados e autoridades espanholas na gestão das barragens e na prevenção de cheias.
Nove pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois três óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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