Projeto será implementado nas ilhas Graciosa, Flores e Santa Maria.
O Governo dos Açores criou um grupo de trabalho que terá como missão desenvolver um projeto-piloto para "reforçar a capacidade de resposta do Serviço Regional de Saúde em situações de emergência e catástrofe", foi esta terça-feira divulgado.
Segundo um comunicado do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM), a secretária regional da Saúde e Segurança Social, Mónica Seidi, determinou, através de despacho publicado na segunda-feira em Jornal Oficial, "a criação de um grupo de trabalho para o desenvolvimento do projeto-piloto 'Walking Blood Banks'".
O projeto-piloto é "uma iniciativa inovadora que visa reforçar a capacidade de resposta do Serviço Regional de Saúde em situações de emergência e catástrofe, inspirada em modelos já estudados e implementados a nível internacional, designadamente em contextos militares e de resposta a emergências em territórios remotos".
"Este projeto representa um passo decisivo no reforço da resiliência do nosso sistema de saúde, particularmente num território arquipelágico como os Açores, onde os constrangimentos logísticos podem comprometer a resposta em tempo útil", afirma Mónica Seidi, citada na nota.
O executivo açoriano adianta que o projeto-piloto será implementado nas ilhas Graciosa, Flores e Santa Maria, "através da constituição de bolsas locais de dadores de sangue previamente identificados, avaliados e acompanhados".
"Em caso de necessidade, estes dadores poderão ser rapidamente mobilizados para comparecer nas respetivas Unidades de Saúde de Ilha, assegurando uma resposta célere, segura e eficaz em cenários de emergências, como acidentes ou outro tipo de trauma", adianta.
De acordo com Mónica Seidi, o objetivo é garantir que "mesmo em cenários de exceção" se consegue "assegurar a disponibilidade de sangue de forma rápida e segura, salvaguardando vidas e reduzindo a dependência de fatores externos".
Com a medida, o Governo dos Açores garante que "reforça o seu compromisso com a segurança, a qualidade e a capacidade de resposta do Serviço Regional de Saúde, promovendo soluções inovadoras adaptadas à realidade insular".
Segundo o despacho de Mónica Seidi, o projeto-piloto justifica-se "considerando que as calamidades e as catástrofes naturais constituem fenómenos recorrentes no arquipélago dos Açores, ocorrendo frequentemente sem aviso prévio e sendo agravados pela vulnerabilidade inerente à sua condição arquipelágica, tornando-se imperativo reforçar a resiliência dos serviços de saúde e assegurar uma resposta célere e eficaz em situações de exceção".
Além disso, é acrescentado, a Direção Regional da Saúde está a estruturar "a implementação de um projeto-piloto destinado a mitigar o impacto desses eventos na população, assegurando a disponibilidade local de sangue total e respetivos derivados para utilização em situações clínicas emergentes e em cenários de catástrofe, independentemente de constrangimentos logísticos e/ou meteorológicos".
O grupo de trabalho criado pelo despacho da titular da Saúde nos Açores integra representantes de diversas entidades com competências técnicas e operacionais na área, designadamente o Instituto Português do Sangue e da Transplantação, o Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, a Direção Regional da Saúde e os três hospitais da região - Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira e Hospital da Horta.
Entre as principais competências do grupo estão a definição dos critérios de seleção e mobilização de dadores, a criação de protocolos clínicos e operacionais, a elaboração de um guia técnico operacional e o estabelecimento de mecanismos de monitorização e avaliação do projeto.
O grupo de trabalho terá caráter temporário e fará o acompanhamento de todas as fases do projeto-piloto até à implementação, sendo que posteriormente será avaliada a eventual extensão do modelo às restantes ilhas do arquipélago, adianta ainda o Governo Regional.
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