page view

Adiada por dois anos produção de novo medicamento para Parkinson

O presidente do grupo farmacêutico Bial afirmou que adiou por dois anos a produção de um novo medicamento para a Parkinson devido aos cortes sucessivos nos preços dos medicamentos e, consequentemente, nas margens de lucro da empresa.

01 de fevereiro de 2013 às 14:01

A Bial desenvolveu o primeiro medicamento de raiz portuguesa -- um antiepilético -- que está atualmente ser comercializado em 17 países europeus.

"Temos um segundo projeto que estava para ser lançado no final do ano passado, princípio deste ano. Trata-se de um antiparkinsoniano, mas esse projeto, neste momento, está adiado por dois anos, dois anos e meio", afirmou Luís Portela.

Em entrevista, quinta-feira à noite, ao Porto Canal, o empresário explicou que não tendo dinheiro para investir, tem que atrasar os investimentos.

Esta situação "deve-se aos cortes nos preços do medicamento, à menor margem. Como não temos dinheiro para investir, temos de atrasar aquilo que estamos a fazer. Isto tem sido para nós absolutamente fundamental, são 10 anos de grandes sacrifícios, são dez anos em que, globalmente, os nossos preços foram cortados em 40 por cento".

"Qual é a empresa, qual é a área que resiste numa situação destas. É muito difícil", frisou.

Em seu entender, estes cortes nos medicamentos são "positivos no curto prazo, numa visão curta das coisas, porque é bom as pessoas pagarem menos, mas é negativo no longo prazo porque não permite ter margens para investir apropriadamente".

"Os preços dos medicamentos que temos em Portugal são dos mais baixos da Europa. Temos preços comparados aos da Eslovénia e aos da Eslováquia que são os preços mais baixos da Europa", frisou.

Luís Portela defendeu que "há que encontrar soluções alternativas para isto, há que racionalizar a situação, dar margens às empresas que permitam investir a médio/longo prazo e trazer riqueza para o país".

"Hoje estamos numa situação de levar as empresas ao vermelho mesmo as empresas bem-sucedidas, quer ao nível da indústria que ao nível da distribuição na farmácia. Aquilo que se fez na área do medicamento foi claramente exagerado e neste momento há que atenuar a situação e racionalizar outros setores na área da saúde onde há muito ainda a fazer", acrescentou.

Questionado sobre a atuação do Governo no atual contexto de crise, Luís Portela considerou que têm sido tomadas "medidas corajosas" e "sem preocupações eleitoralistas, o que não é vulgar em Portugal", mas lamentou que o desenvolvimento económico esteja a ser "descurado".

"É preciso pagar a dívida, mas ao mesmo tempo é preciso criar riqueza para pagar a dívida. Se esquecermos esse aspeto, estamos a pagar a dívida, a emagrecer, a apertar o cinto e a caminhar para uma situação cada vez mais complicada", considerou.

O empresário defendeu, pior isso, a necessidade de criar um plano estratégico de desenvolvimento para o país, nas diversas áreas.

"Desejaria que do lado da economia houvesse essa perspetiva dos 10/15 anos, tentar perceber onde é que queremos estar para que estrategicamente pudéssemos criar condições para que as empresas pudessem buscar nas universidades o conhecimento que se tem acumulado e que não tem passado para economia", referiu.

Luís Portela considerou ainda "criminoso" não se terem criado condições para que "as universidades e, sobretudo, o mundo empresarial pudessem estar atentos para conquistar esses jovens" que emigram.

Mas, frisou, se "não há condições para reter muitos dos nossos licenciados e doutorados, há que criar condições para, pelo menos a médio prazo, tê-los de volta para poderem dar o seu contributo, ainda mais forte, para a dinamização da economia e do nosso país".

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8