As provas de aferição de Língua Portuguesa ontem realizadas por cerca de 230 mil alunos dos 4º e 6º anos podem afinal influenciar a nota no final do ano lectivo. "Se tiver dúvidas entre passar ou reprovar um aluno e ele tiver boa nota na aferição vou ter em conta esse parâmetro na avaliação. Funciona mais pela positiva do que pela negativa", revelou ao CM Mário Cobra, de 31 anos, professor do 1º ciclo na EB 1 São João de Deus, em Lisboa. As notas nas provas de aferição são conhecidas a 15 de Junho, última semana de aulas, ainda a tempo de influenciarem a classificação final.
Paulo Feytor Pinto, da Associação de Professores de Português (APP), responsabiliza o Ministério da Educação pela situação ambígua. 'Oficialmente as provas de aferição não contam para a nota, mas quando há dúvidas podem influenciar. Os professores são induzidos a isso porque as notas são conhecidas antes do final das aulas', disse ao CM. Feytor Pinto contesta o facto de 'haver uma nota dos alunos'. E defende que sejam feitas provas de aferição 'a uma amostra de alunos e a todas as disciplinas e anos de escolaridade, do 1º ao 9º, de forma rotativa'. A APP emitiu ainda um parecer em que considera ser 'pouco exigente o pedido para ordenar palavras por ordem alfabética na prova do 6º ano'.
Em Viseu, os alunos da Escola Infante D. Henrique demonstraram algum nervosismo quando entraram na sala onde decorreu a prova. À saída, a maioria considerou que o exame foi 'acessível'. 'Estava preparada porque a minha mãe é professora e fez-me provas-teste. Por isso já contava com uma prova assim. Foi fácil e espero ter boa nota', disse Jéssica Marques, de 13 anos, aluna do 6º ano.
'MAIS FÁCIL DO QUE OS TESTES'
Todos os alunos de Lisboa ouvidos ontem pelo CM estavam de acordo: as provas de aferição foram fáceis. 'Foi mais fácil do que os testes que faço durante o ano. Acho que vou ter B', disse Teresa Fonseca, de nove anos, da EB 1 São João de Deus, em Lisboa. Na escola ao lado, a Filipa de Lencastre, o irmão Manuel fez a prova do 6º ano e também achou 'fácil'. A mãe, Manuela Gonçalves, médica de 50 anos, é adepta das provas de aferição: 'Acho que lhes faz bem. A vida está difícil, há muita concorrência.' Na prova do 6º ano saiu o texto ‘O Bojador’, de Sophia de Mello Breyner, e no do 4º um de José Jorge Letria. Muitas escolas pelo País cancelaram as aulas da parte da manhã para os outros anos. Na EB 1 Alto Rodes (Faro), os pais queixaram-se porque os filhos ficaram no ATL – que fechou às 12h00 e a escola só abriu às 13h00. Amanhã é dia de prova de Matemática.
DEPOIMENTOS
'Não sei ler nem escrever, mas acho que é um bom teste para a minha neta de 11 anos. Assimvai treinando sem que conte para a nota. Ela é uma boa aluna e por isso nem sequer estava nervosa.': Maria Ferreira, Porto
'Quando entrei para a sala estava um pouco nervoso mas depois de ver o teste fiquei mais tranquilo. Foi uma prova muito fácil e por isso espero ter uma boa nota.': Manuel Lopes, Viseu, 6.º ano
'Estava um bocadinho nervoso, mas o exame foi fácil. Consegui responder a tudo em 30 minutos. Estudei um pouco e acho que vou ter um A. Agora vou preparar--me para o exame de Matemática.': José Brás, Stgo. Cacém, 4.º ano
'A prova foi fácil. Mais fácil do que os testes de preparação que fizemos nas aulas. Mesmo sem contar para a nota do fim do ano, eu tinha estudado um bocadinho. Não estava nervoso e correu-me bem.': Alexandre Elias, Faro, 4.º ano
Veja aqui as provas realizadas:
Correcção das Provas:
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