Embora os sistemas de abastecimento sejam dimensionados com margens de segurança, "não têm uma capacidade infinita", podendo situações de consumo elevado colocar pressão significativa sobre as infraestruturas.
O diretor-geral da empresa intermunicipal Águas do Ribatejo apelou esta segunda-feira à utilização moderada da água da rede pública, alertando que as temperaturas elevadas estão a provocar aumentos de consumo que, em alguns sistemas, chegam a duplicar face ao inverno.
Em declarações à Lusa, o diretor-geral da Águas do Ribatejo (AR), Miguel Carrinho, afirmou esta segunda-feira que a diferença face ao inverno é particularmente acentuada neste tipo de territórios, ao contrário do que sucede em áreas urbanas, onde o consumo tende a manter-se mais estável ao longo do ano.
"Chegamos a ter, em muitos sistemas, consumos de água que são o dobro e, em alguns casos, até mais do dobro do que aquilo que acontece nos períodos de inverno", afirmou, explicando que este aumento está associado sobretudo à rega de jardins, manutenção de relvados e utilização de piscinas.
Miguel Carrinho sublinhou que, embora os sistemas de abastecimento sejam dimensionados com margens de segurança, "não têm uma capacidade infinita", podendo situações de consumo elevado, associadas a períodos de calor intenso, colocar pressão significativa sobre as infraestruturas.
O responsável alertou ainda para o impacto dessa pressão na resposta a situações críticas, como os incêndios rurais, uma vez que a disponibilidade de água é essencial para o combate às chamas.
"Quando já existe uma pressão muito grande sobre os sistemas, pode levar, em situações limite, a alguma falha", disse.
Nesse sentido, apelou a comportamentos "mais conscientes", sobretudo no que classificou como utilizações "não prioritárias ou supérfluas", como regas intensivas, lavagens de pátios ou mesmo a prática de molhar paredes e telhados com o objetivo de arrefecer as habitações, práticas cuja eficácia, com temperaturas superiores a 40 graus, é "muito reduzida", representando sobretudo desperdício de água.
Relativamente às piscinas, o diretor-geral defendeu uma gestão mais eficiente da água, evitando substituições frequentes.
"Há formas de tratar a água e mantê-la até de um ano para o outro", referiu, apontando vantagens ambientais e económicas.
Miguel Carrinho destacou também que o aumento dos consumos implica maior esforço dos sistemas, o que "eleva o risco de avarias e eventuais falhas no abastecimento".
Sobre as perspetivas para o verão, marcado por previsões de temperaturas elevadas e ondas de calor, o responsável garantiu que as entidades gestoras estão a implementar medidas para reforçar a resiliência dos sistemas, mas ressalvou que essas soluções não são suficientes por si só.
"A resposta terá necessariamente de ser coletiva", afirmou, defendendo a conjugação de esforços entre entidades gestoras, municípios e consumidores.
Entre as medidas em curso, destacou a procura de soluções alternativas para a gestão de espaços verdes, privilegiando opções que reduzam as necessidades de rega, mantendo, ainda assim, a qualidade do ambiente urbano.
O responsável concluiu que a adaptação aos novos padrões climáticos exige uma mudança de comportamentos, sublinhando que a água deve ser encarada como um recurso essencial, cuja preservação é determinante para garantir o abastecimento humano e usos prioritários, como o combate a incêndios.
A Águas do Ribatejo (AR) é uma empresa intermunicipal responsável pela gestão dos sistemas de abastecimento de água e de saneamento em vários concelhos do Vale do Tejo, incluindo, entre outros, Salvaterra de Magos, Almeirim, Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche e Torres Novas.
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