Presidente da Assembleia da República declarou que "não há democracia sem jornalismo livre e não há parlamentarismo sem jornalismo parlamentar".
O presidente da Assembleia da República considerou esta quarta-feira que o jornalismo parlamentar é indispensável ao parlamentarismo, defendeu a experiência, a profundidade de análise e a necessidade de descodificação de factos, e procurou distinguir jornalistas e `influencers´.
Estas posições foram defendidas por José Pedro Aguiar-Branco no encerramento de uma sessão de apresentação de um livro coordenado pelo professor e investigador Jaime Lourenço, da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), intitulado "Jornalismo Parlamentar -- 50 anos de uma especialidade jornalística", editado pela Tinta da China.
Um livro que reúne contributos de 20 autores da área da Comunicação, História e Ciência Política, bem como testemunhos de jornalistas parlamentares de diferentes gerações, para uma reflexão sobre a relação entre a imprensa e o parlamento.
"Não há democracia sem jornalismo livre e não há parlamentarismo sem jornalismo parlamentar", declarou o presidente da Assembleia da República, num discurso em que advogou a ideia de que "a democracia dá muito trabalho".
"As pessoas estavam iludidas quanto consideravam o contrário. E estas democracias, não é só em Portugal, mas é um pouco por toda a Europa, com parlamentos muito fragmentados - que são a expressão da vontade popular em eleições livres - ainda dão mais trabalho, porque é necessário respeitar ainda mais o direito à diferença e aceitar a crítica", sustentou.
Na sua intervenção, o presidente da Assembleia da República também procurou realçar a necessidade de os jornalistas descodificarem factos, numa altura em que há "conferências de imprensa a ritmo alucinante".
"Sei que às vezes há quem me critica, mas acho que tudo aquilo que se possa saber sem filtros no Parlamento deve ser efetivamente sabido. Deve ser do conhecimento dos portugueses, para que eles quando vão votar não estejam sujeitos às outras formas de comunicar que são por via da manipulação ou da edição das coisas. Aqui é, como se costuma dizer lá no Norte, sem espinhas", completou José Pedro Aguiar-Branco.
Neste ponto, ainda acrescentou: "o Parlamento é talvez a instituição democrática mais escrutinada e mais transparente".
O presidente da Assembleia da República defendeu ainda a importância da experiência, da memória, da sabedoria e da frieza de análise no exercício da profissão de jornalista.
Um jornalista, de acordo com José Pedro Aguiar-Branco, não se deve deixar arrastar por sensacionalismos e deve privilegiar a profundidade.
"Esta profundidade de análise num jornalista, para mim, tem muita importância. Mas num jornalista parlamentar tem ainda uma importância acrescida. Da sua ação resulta também o prestígio da Assembleia da República. E o seu papel é fundamental na qualidade do regime democrático", acrescentou.
No seu discurso, a propósito da crise económica no setor da comunicação social, o presidente da Assembleia da República defendeu ainda a tese segundo a qual "o público português é muito mais exigente do que parece".
"Continua a preferir jornalistas a `influencers´, continua a querer profissionais de notícias e não de indignações ou de polémicas. E o desafio da comunicação social, o desafio dos jornalistas, é estar à altura dessa exigência. Estar à altura dos últimos 50 anos e, sobretudo, dos próximos 50 anos", rematou.
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