Antigo presidente do Governo da Madeira defendeu antes o reforço de uma "autonomia política decente e não subvertida pelo colonialismo".
O antigo presidente do Governo da Madeira Alberto João Jardim disse esta quinta-feira, na apresentação do seu novo romance, ser contra a independência da região, defendendo antes o reforço de uma "autonomia política decente e não subvertida pelo colonialismo".
"Não sou a favor do separatismo. O nosso território é pequeno, com muitos poucos recursos naturais, importa quase tudo o que consome, para além de a independência constituir uma autoagressão cultural e civilizacional como portugueses que somos, pelos valores que, apesar de tudo, nunca perdemos", afirmou.
Alberto João Jardim falava na apresentação do seu quarto livro, um romance intitulado "Independência?...", que decorreu no Museu de Imprensa da Madeira, em Câmara de Lobos, concelho contíguo ao Funchal a oeste.
A narrativa situa-se na região, num tempo futuro a partir dos anos 30 deste século, e foca a possibilidade da independência do arquipélago, sendo que a história termina "confiante na indispensável e indestrutível liberdade de decisão das futuras gerações madeirenses".
Alberto João Jardim assume que o livro, com 197 páginas e chancela da Editora Joias de Cultura, é simultaneamente panfletário e satírico.
"Panfletário porque, no quadro ideológico, apela à ação. Satírico porque ridiculariza hábitos e costumes de algumas classes políticas, não apenas a portuguesa, bem como as [suas] práticas mafiosas", explicou.
O antigo governante, que chefiou o executivo regional entre 1978 e 2015 e liderou o PSD/Madeira até 2014, sublinhou ter abraçado sempre a "dialética das mexidas constantes" ao longo da carreira política e, por isso, dedica o livro "Independência?..." ao povo madeirense "em jeito de desafio".
"Um livro contra a auto-comiseração pequeno-burguesa, um livro que pede ação", sustentou.
Jardim observou que, atualmente, a burguesia está a destruir-se a si própria, ao passo que a classe média está "mergulhada na banalidade das modas e no tédio das rotinas" e os poderes públicos estão a ser "arrastados para a mediocridade" em Portugal e na Europa.
No entanto, deixou claro que o livro "não é uma apologia do separatismo" e considerou que a independência levaria a região a cair na "dependência" de uma qualquer grande potência.
"É preferível termos uma autonomia política decente, o que não é ainda o caso das ilhas portuguesas, seremos mais independentes com uma autonomia não subvertida pelo colonialismo, do que ter uma independência nas mãos de uma grande potência, indiferente aos nossos valores, cultura, direitos e interesses", argumentou.
"Independência?..." é a quarta obra escrita e publicada por Alberto João Jardim desde que deixou a liderança do Governo Regional e do PSD/Madeira, depois do livro de memórias "Relatório de Combate" (2017) e dos romances "Diz Não!" (2018) e "A Senhora e a Ilha" (2021).
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