A Direcção-Geral da Saúde (DGS) vai lançar em Outubro uma campanha nacional para incentivar profissionais de saúde, doentes e visitantes a lavar as mãos. Objectivo: reduzir as infecções hospitalares que atingem 8% dos doentes que passam pelos serviços.
Cristina Costa, coordenadora do Programa Nacional de Controlo da Infecção, diz que a adesão das unidades aos programas de vigilância tem vindo a subir. Desde 2003, já participaram 50 hospitais. "Obviamente que gostaríamos de chegar aos 100%." Mas não é apenas nos hospitais que a higienizarão deve ser uma prioridade. "Tem de ser desenvolvida também nos centros de Saúde e nas unidades de Cuidados Continuados", onde está ainda mais atrasada.
Lavar as mãos é uma das formas mais simples de reduzirocontágio.A campanhavaipromover, por exemplo, o uso de uma solução asséptica de base alcoólica que, segundo Cristina Costa, pode até estar no bolso dos médicosepermite desinfectar as mãos em metade do tempo (30 segundos), sem necessidades de idas ao lavatório. Um estudo recente mostra que apenas 40% dos hospitais têm lavatórios suficientes para as necessidades. "Os hospitais não são locais assépticos, têm microorganismos. Mas a criação de regras reduz os contágios."
Vai ainda ser realizado um inquérito aos hospitais para traçar um retrato da actual situação – os últimos dados são de 2003 – e para se perceber que resultados têm tido os programas nacionais para combater este problema. A iniciativa é da DGS, insere-se numa campanha internacional promovida pela Organização Mundial de Saúde e é apresentada hoje e amanhã, num encontro que reúne os especialistas nesta área. "Vamos assinar um acordo com o SUCH [empresa de logística] para passar a mensagem. Queremos que as pessoas percebam a importância da higienização", refere Ana Leça, da Agência da Qualidade em Saúde.
INFECÇÕES URINÁRIAS SÃO AS MAIS FREQUENTES
As infecções urinárias são as mais frequentes entre os doentes que passam pelas unidades de Saúde, representando 28% do total de contágios, referem os dados do centro europeu para a segurança neste sector. O problema afecta três milhões de europeus por ano, 50 mil dos quais acabam por morrer. As infecções respiratórias surgem logo a seguir, com 25%. O contágio do sangue é o menos frequente, com dez por cento, mas é o mais perigoso, porque é aqui que ocorrem as maiores taxas de mortalidade. As infecções dos locais cirúrgicos (onde foi feita a operação) têm taxas a rondar os 17%. Em Portugal, 21% das infecções são detectadas depois de terem alta. O número explica-se pelo facto de os períodos de internamentos serem cada vez mais reduzidos e muitas das cirurgias serem em ambulatório.
O MINISTRO QUE MANDOU OS MÉDICOS DESINFECTAREM-SE
Em 2006, o anterior ministro da Saúde, Correia de Campos, reconheceu que Portugal tinha "um problema sério ao nível das infecções hospitalares", com forte probabilidade de um doente em cada cem internados vir a morrer por este motivo. E decidiu mandar uma mensagem para a classe médica, apelando a estes profissionais para que não usem gravatas e lavem as mãos com mais frequência. O apelo foi depois seguido por um conjunto de regras a serem seguidas nas unidades de Saúde. A crítica enfureceu a classe, que criticou o facto de o governante apontar o dedo aos profissionais, esquecendo-se da falta de condições de muitas unidades.
RADIOGRAFIA
Prevalência
As infecções hospitalares chegam aos 10%, afectando 8,4% dos doentes. 25% são adquiridas na comunidade.
Serviços
As unidades de Cuidados Intensivos são as mais afectadas (34%), em particular no caso das doenças respiratórias.
Transmissão
As mãos dos profissionais de Saúde são o veículo de transmissão em 30 a 40% dos casos. A OMSdiz que metade não as lava.
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